Abril de 2017

Ano VII - Número XLVl

 

 

Helena Martins

 
 

UM MAR DE SENTIDOS...
Helena Martins

Mil Céus sangram…
Um mar de sentidos
Em mim…
No meu pobre peito…
Tombaram os astros!
Um fogo que arde…
Tão profundo...
A dor...
O mundo…
Raro d´amor,
Quase moribundo!...
Meu nobre espírito...
Minha sina...
Meu lastro...
De vastos cansaços…
Acende ora ao longe…
À flor da mágoa…
Um novo universo
Aberto a meus olhos
Rasos d´água…

Helena M. Martins, Prof.
Angra do Heroísmo - Ilha Terceira – Açores
http://helenamartins10.blogspot.pt/

 
 

 

Helenice Maria Reis Rocha

 
 

BARRELA
Helenice Maria Reis Rocha, IWA

Cicatrizes de lama sangram
a pele da terra regorgita sonhos enterrados num tempo sem nome
companheiros deixaram os corpos em cemitérios clandestinos
abraçando grito e pó ouço vozes
O Povo! Unido! Jamais será vencido!
O sangue e a lama guardam os corpos de companheiros
Cicatrizes de água gritam
Companheiros jogados ao mar se transformam em sal
As veias da água guardam o sal de companheiros jogados ao mar
Onde José,João,Marias
nas avenidas em fogo quando homens e mulheres gritavam
O Povo! Unido! Jamais será vencido!
Eu,adolescente,nas avenidas,entre cavalos,balas de borracha,
enfrentei uniformes e botinas
de sandálias Helenice Maria Reis Rocha

Helenice Maria Reis Rocha
Nova Lima - Minas Gerais - BRASIL


Mestre em Letras UFMG;Especialista em Música UFMG;Cônsul ZSSE Movimiento poetasdelmundo;Membro Associado do IWA(Internacional writers and artists);Quarenta e poucas publicações em Antologias no Brasil e no Chile;Poemas na Antologia AI5 lançada na Assembléia Legislativa

 

 

Henrique Lacerda Ramalho

 
 

A PEDRA
Henrique Lacerda Ramalho, IWA

Pedra bruta, pedra bruta,
me diz o que tens para contar!
Tens musgo onde nem o vento sopra,
aresta estéril onde o sol não bate?...
Pedra bruta que me dizes?
Onde a raiz que te faz estalar,
o fio d´água que te faz arrepiar?...
Pedra bruta, te limpo e te faceto,
faces planas, a luz reverberás!
Azuis, vermelhos, amarelos, verdes,
surgem faiscando de teus planos.
Quem diz que não serás cristalina,
pura como diamante ou brilhante,
esmeralda em cor profunda, rubi sanguíneo,
turquesa em marinha cor... ou outras mais?
Procuro em ti, pedra bruta,
o que outros olhos não vêem, nem notam,
ou até pisam e chutam !
Procuro em ti a obra-prima e única!
Procuro... e certamente acharei
a maravilha escondida em teu ser.
Mesmo que nenhuma beleza estranha encontre,
farás parte do muro que construo
ou ficarás numa gaveta íntima guardada,
jóia da inesquecível recordação
desse momento especial
em que te encontrei!

Henrique Lacerda Ramalho
Lisboa/Portugal
http://www.carmovasconcelos-fenix.org


H.L.R. integra vários Sites, Grupos Literários, e Redes Virtuais.
Criador e WebDesigner das Antologias Culturais LOGOS e das Coletâneas de Arte e Literatura (Individuais) do seu site FÉNIX; WebDesigner da Revista Cultural eisFluências;da Revista LITTERAMUNDO do Movimento de União Cultural;da Antologia Internacional da Academia dos Poetas Acreanos;das Antologias "Mulheres pela PAZ" (Ausgburg- Alemanha)2015 e 2016. É Membro Vitalício da International Writers end Artists Association - IWA, Toledo, Ohio/USA; Supervisor Embaixador Internacional e ACADÊMICO IMORTAL DA ACADEMIA DA CULTURA INTERNACIONAL do Movimento União Cultural, titular da cadeira número 4 (Taubaté, Brasil); Medalha da Paz/CONINTER; Comenda Conde de Figueiró/Embaixada da Poesia; membro Universal Circle of Ambassadors of Peace; Prémio "Cultivo da Paz - Hiroshima 70 Anos", do Movimento de União Cultural; Comenda da Embaixada da Poesia/AVLAC; Honra ao Mérito "Carlos Drummond de Andrade" (AVLAC);Mérito "Prata da Casa" da AVLAC; Académico Correspondente e Membro Honorário da Academia Pan-Americana de Letras e Artes - Rj - Brasil.

 

 

Hilda Persiani

 
 

MARINA
(Para minha sobrinha neta)
Hilda Persiani

Menina-moça, olhar de candura,
Tão delicada e tão feminina,
O seu sorriso emana doçura,
Invejo sua formosura, MARINA!

É ainda o botão de uma rosa,
Meiga, delicada, franzina,
Quando a vejo bela e carinhosa,
Como a invejo, MARINA!

Quando minha alma às vezes chora
Vendo que minha vida termina,
Ao ver sua deslumbrante aurora

Bendigo sua juventude, menina;
Estou aos poucos indo embora
Mas ai! Como a invejo, MARINA!...

Hilda Persiani
Curitiba - PR -Brasil

 

 

Humberto Pinho da Silva

 
 

A PONTE SOBRE O TEJO E A DANÇA DAS PLACAS
Por Humberto Pinho da Silva


A inveja está interligada à política, como aliás a todas as áreas de cultura. Para denegrir o rival, ou possível rival, recorre-se, muitas vezes, à calúnia e à mentira.
Mentira espalhada por outros invejosos, que desejam alcançar benesses, que a maioria das vezes não merecem.
Quando há mudança de regime, logo surgem, impelidos pela inveja, ou ânsia de aproveitarem a oportunidade para ascenderem socialmente, indivíduos, que tentam colar-se aos vencedores, mesmo que tenham de renegar idiais, que acreditam, ou amesquinhar os que foram companheiros de “luta”.
Isso passa-se na política, mas acontece, infelizmente, na Igreja. Sim: até na Igreja; e quando falo na Igreja, não me refiro apenas à Católica, mas a todas as denominações.
Salazar – como bom estadista, e homem de grande saber, – conhecia, perfeitamente, a natureza humana.
Quando lhe disseram que a Ponte Sobre o Tejo iria ser batizada, em sua homenagem, logo retorquiu:
“ O meu nome ainda há-de ser retirado da ponte” e acrescentou (cito Pedro Mexia) “ Comentando também que as letras da placa deviam ser aparafusadas e não fundidas no bloco de bronze: “ Vão dar depois muito mais trabalho a arrancar.” Com efeito, em 1974, dias depois da Revolução, um comité revolucionário pintava inscrição a negro, martelou as lápides, segundo o mote” a arte fascista faz mal à vista”. Uns meses mais tarde, a ponte foi rebatizada “ 25 de Abril” – Pedro Mexia – “É uma Paisagem “ – “E” – A Revista do Expresso – 10/Set./2016.
No tempo da 1ª Republica, energúmenos, quebraram, à pedrada ou a camartelo, a coroa real, colocada em muitas obras realizadas no tempo da monarquia. Salvou-se, entre outras, a que ainda permanece no pilar de pedra da Ponte D. Luís I, no Porto. Salvou-se, por “ descuido” ou por milagre…
Também os nomes de ruas mudam, para apagar feitos do antigo regime, os “patriotas”, logo mudam as placas.
No Porto, é notável a Rua de Santo António, atual 31 de Janeiro; e no Brasil, apesar de muitos republicanos admirarem o Imperador, até terem colaborado com ele, não escapou à mudança de nomes: a Praça Dom Pedro II passou a ser de Marechal Deodoro; a Rua da Princesa, de Rui Barbosa, isto no Rio
Em Petrópolis, a Rua do Imperador, virou Avenida da República; mais tarde, tornou a ser do Imperador… para agradar aos turistas…
Lá, como cá, a inveja ou parvoíce, reina, mesmo em tempos democráticos…
A Ponte Salazar, que demorou apenas 45 meses a ser construída. Inaugurada a 6 de Agosto de 1966, na presença do Presidente da República, o Almirante Américo Tomás, e o Presidente do Conselho de Ministros, António Oliveira Salazar, foi, apesar das infrutíferas tentativas de muitos, rebatizada pelo povo, de: “ Ponte Sobre o Tejo”.
Já que não é de Salazar, seja, então, do Tejo…

Humberto Pinho da Silva
Porto - Portugal
http://solpaz.blogs.sapo.pt