Abril de 2017

Ano VII - Número XLVl

 

 

Luciana do Rocio Mallon

 
 

LENDA DO POLVO DE CROCHÊ
Por Luciana do Rocio Mallon


Anos atrás, na Península Ibérica, existia a lenda de um homem que virava polvo e morava no mar. Naquela região existia uma jovem chamada Rúbia, que era muito tímida e gostava de meditar nas pedras perto da praia.
Uma madrugada, a jovem estava meditando. Quando, de repente, avistou um moço que veio do fundo do oceano. Assim os dois se apaixonaram. Na primeira noite em que passaram juntos, ao amanhecer, a moça olhou para o lado e em vez de avistar seu amado viu um polvo com vários tentáculos. Por isto, saiu correndo. Depois deste fato seu namorado desapareceu e alguns dias depois, Rúbia descobriu que estava grávida. Assim ela deu à luz a uma menina que batizou de Pérola. Quando esta garota completou treze anos, passou a acontecer algo estranho: de dia ela virava polvo e à noite se transformava em humana, novamente. O sonho de Pérola era ter filhos e ajudar crianças doentes. Então ela passou a fazer polvos de crochê e Rúbia resolveu doar estes brinquedos para as famílias que tinham crianças com a saúde frágil. Mas o interessante é que ela notou que os pequenos melhoravam depois que ganhavam estes bonecos. Deste jeito a mulher contou o fato à Pérola que ficou animada com a notícia e se conformou com o seu destino. Porém um barbeiro, que também era uma espécie de farmacêutico e médico, seguiu a moça ao entardecer até o mar e descobriu que era virava polvo. Assim este homem denunciou a moça, por bruxaria, para a Inquisição. Deste jeito Pérola foi queimada em praça pública. Porém das labaredas começaram a sair polvos de crochê sem nenhum sinal de queimado. Algumas pessoas, que tinham crianças doentes em casa, pegaram estes bonecos, que fizeram com que a saúde destes pequenos melhorasse.
Os anos se passaram até que em 2013 uma professora da Dinamarca teve acesso a esta lenda e resolveu fazer polvos de crochê para distribuir em hospitais. Então estes bonecos passaram a ajudar bebês prematuros a se sentirem mais seguros. Pois os tentáculos lembram o cordão umbilical e por isto propiciam segurança parecida com a do útero materno. Sem falar que foi comprovado que os nenéns que receberam este polvo tiveram melhoras nos sistemas respiratórios e cardíacos.
Os polvos de crochê fizeram tanto sucesso, que a terapia com estes brinquedos passou a fazer parte de hospitais de todo o mundo.
No Brasil, estes bonecos estão sendo utilizados para estimular crianças com microcefalia e os resultados são impressionantes.

Luciana do Rocio Mallon
Curitiba - Paraná - Brasil


Luciana do Rocio Mallon é autora do livro Lendas Curitibanas e colabora com o site Usina de Letras.

 
 

 

Luísa Karlberg

 
 

O BEIJO
Luísa Karlberg, IWA

O melhor beijo é aquele desejado,
O beijo do ser amado,
O beijo mais adequado,
O beijo da minha vontade,
Dado com docilidade.

O melhor beijo é aquele sem tempo,
Que toma a vida da gente,
De um jeito contente,
Pleno de sabor, odor,
Dado com muito calor.

O melhor beijo é aquele do ser amado,
Do ente admirado,
O amor querido e sonhado,
Nunca por ele enganado,
Sincero, fiel desejado.

O melhor beijo é aquele de quem se ama,
De quem se alimenta a chama,
De amor, ternura,
Dedicação, candura,
De vida eterna e pura.

Luísa Galvão Lessa Karlberg, IWA
Rio Branco - Acre - Brasil


Presidente da Academia Acreana de Letras, Cadeira 34

 

 

Luiz Carlos Rodrigues da Silva, Prof.

 
 

O ÂMAGO DA POESIA
Luiz Carlos Rodrigues da Silva, Prof.

Poesia vem do mais profundo do ser humano
Vem da intimidade da alma com a existência inexorável
É uma espécie de tradutora de anseios, desejos, sentimentos, valores.
É uma miscelânea de encantos, sonhos e desalentos.
É a melodia harmoniosa de um grande amor
É também a expressão da decepção do amor que chega ao fim
É a nudez da alma revelada na escrita
É a descoberta imprevisível de si mesmo
É a revelação da dor insuportável!

Poesia é a arte em sua plenitude
É a magia transformada em mistério
Que envolve o mais profundo do meu ser
Tem a força de despertar o que estava adormecido
E fazer entender o que não se pode compreender
Projeta o olhar em direção ao horizonte
Sem se preocupar com os detalhes da observação
Que já vem impresso na própria arte por poética!

Poesia é insanidade, sanidade, devaneio, estética, indecifrável.
É encontro agendado com o belo, mas também surpresa com o inesperado.
Poesia é hedonismo platônico
Que encanta e inferniza a vida das musas e das ninfetas atemporais.
O âmago da poesia é a própria profundidade da existência!

Luiz Carlos Rodrigues da Silva, Prof.
Barra do Corda - Brasil

nasceu em Caxias (MA), em 18 de maio de 1962. Mestrado  em Ciências da Educação. Membro da National Geographic Society; Pert. à Associação Nacional de História – ANPUH a partir de março de 2015, originalmente Associação Nacional dos Professores Universitários de História, à Associação Nacional de Escritores. Bibl.: Reminiscências Filopoéticas, 2016.

 

 

 

Luiz Gilberto de Barros ( Luiz Poeta )

 
 

O MENINO QUE LIA OLHOS
Por Luiz Gilberto de Barros ( Luiz Poeta )
Primeiro Lugar no concurso de Contos da União Brasileira de Escritores - RJ - 2016


- Você pode parar de piscar, por favor ?
- Como ?
- Estou lendo seus olhos.
- Lendo meus olhos ? – Espantou-se.
- Só um instantinho... há uma frase que diz que você está triste.
- Triste ? Eu ? ...como sabe ?
- Pelo brilho.
- Brilho ?
- Sim, um brilho úmido.
- Úmido ?
- É. Você estava querendo chorar.
- Ora, seu... como é seu nome ?
- Não importa. Sou apenas um menino.
- Quantos anos você tem, menino ?
- Dez. Vou fazer onze amanhã.
- Você é muito novo.
- E o seu nome ? Como é ?
- Ué... você não sabe ler olhos ? ...deveria saber o meu nome.
- ...não cheguei a esse estágio ainda. É todo um processo visual, mas eu sou meio míope.
- Ora, mas você vê os olhos de perto. O míope não enxerga é de longe.
- É verdade, mas mesmo assim, não enxergo muito bem também de perto.
- Pois devia enxergar. Como descobriu que estou triste ?
- É uma história muito longa. Mas... como é o seu nome ?
- Marta.
- Puxa, quase que eu acerto ?
- Como ?
- Até que eu tinha visto o M, mas acho que você foi esperta e não quis pensar com os olhos. Ficou meio embaçado. Eu ia até arriscar Maria. Acho que você piscou quando eu ia ler o resto.
- Você é muito espertinho. Como soube que eu ia chorar ?
- Tá vendo ? Você ia chorar. Eu acertei.
- Você é muito esperto mesmo. Mas não me respondeu: Como soube que eu ia chorar ?
- É fácil. Na verdade o livro engloba também os lábios.
- Que livro ?
- O livro da vida reflete-se nos olhos.
- Então...
- Então ele estava aberto no capítulo da página do choro.
- Está ficando interessante a nossa conversa. E o que os lábios têm a ver com isso ?
- É que quando você vai chorar, os lábios fazem a diferença porque você aprisiona o sorriso e a lágrima é comprimida. É como se você espremesse uma toalha molhada e as gotas caíssem.
- Interessante... mas porque você resolveu ler logo os meus olhos, com tanta gente nesta lanchonete ?
- Ué, porque você olhou para mim.
- E... quem ensinou isto para você? Foi sua mãe, seu pai...ou alguma cigana dessas que andam por aí ?
- Ninguém me ensinou. Eu sou autodidata.
- Além do mais, você tem um bom vocabulário.
- É... eu leio muito.
- Eu sabia.
- Mas, voltando ao assunto: Vai me dizer que você não ia chorar ?
- Claro, isto é... bem...
- Tá vendo ? Você ia chorar.
- Está bem, ia. E daí ?
- Nada. Acho bom eu parar a leitura. Viu ? Agora você vai sorrir.
- Você está me sugestionando.
- Não disse ? Você sorriu !
Já sei – pensou – ele deve querer algum dinheiro. Afinal, chegou aqui do nada e puxou assunto.
- Espere aí um pouquinho.
Marta virou-se para a bolsa, revirou-a, pegou a carteira, examinou as cédulas, retirou dela dois reais e...
- Ué ? Cadê o garoto ?
Olhou cuidadosamente em volta e não viu mais o menino.
- Que coisa...
Dentro dos seus olhos, a metafórica toalha sobre a qual o menino falara, secava ao sol de um novo dia e não havia lágrimas para serem espremidas... o embevecimento não deixaria.
Ela agora sorria inefável e nebulosamente para o espelho dos olhos de um garoto sem nome... sem casta... e sem endereço... um menino como outro qualquer, mas que tinha o dom da bênção guardadinho na mochila da esperança e que entrou na sua vida somente para dialogar. por alguns momentos, não apenas com seus olhos, mas com sua alma tão carente de olhares e palavras.

(Às 19 h e 30 min do dia 14 de agosto de 2012 - Marechal Hermes – Rio de Janeiro)

Luiz Gilberto de Barros - Luiz Poeta
Rio de Janeiro - Brasil
www.luizpoeta.com.br


Presidente da Academia Pan-Americana de Letras e Artes;Poeta, escritor, músico, compositor, artista plástico.

 

 

Luzia Barroso

 
 

SEJA LIVRE
Luzia Barroso

Seja livre do mundo criando seu mundo real
Desperte somente o desejo do amor
Seja livre do mundo do mal
Esqueça as palavras duras, não acumule o rancor

Não deixe seu coração se abalar
Com coisas que não vale a pena
Esteja aberto a amar
Não crie cena

Faça da sua vida o que um dia sonhou
Lute por aquilo que você quer
Não se entregue ao sofrimento porque alguém te magoou
Seja um grande homem ou uma grande mulher

Você precisa se livrar aquilo que te afeta de maneira rim
Escolher o lado da sombra pra andar
Porque só poderá ser livre assim
Escolhendo o bem e sabendo semear

Só assim poderá ser feliz
Se livrando do caminho errado
Escutando o que o coração diz
Amando se sendo amado.

Seja livre!!

Luzia Alves Barroso e Silva
Barra do Corda - Brasil


Luzia Alves Barroso e Silva, professora, poeta, romancista, política. Especializada em Planejamento Educacional – Universidade Salgado de Oliveira, em Supervisão, Orientação e Administração Escolar – Faculdade de Teologia Hokemãh – FATEH, em Educação Infantil pela Faculdade Evangélica do Meio Norte FAEME e Licenciada em Pedagogia- Universidade Estadual do Maranhão UEMA .
Nasceu no Município de Itaipava do Grajaú. Sempre estudou em escola pública, desempenhou sua primeira atividade profissional na casa de Cultura Galeno Brandes. Desenvolveu atividade de professora desde 1998, também trabalhou como diretora e coordenadora na escola Centro Educacional Padre Pio- CEPAP e coordenadora pedagógica na Escola Diocesano de Barra do Corda.
Começou a escrever versos românticos aos 11 anos de idade, sempre participativa nas ações de comemorações alusivas a datas comemorativas desenvolvendo poemas e músicas de sua autoria como forma de abrilhantar os eventos. A maioria de suas poesias são baseadas em fatos reais.