Abril de 2017

Ano VII - Número XLVl

 

 

Paulo Schenini

 
 

REALIDADE
Paulo Schenini

Por que sorrir
Se tantos estão chorando?
Por que partir
Se tantos estão chegando?

Por que deixar-me
Se eu necessito da tua presença?

Por que esquecer
Se eu vivo em ti pensando?

Por que dizer que nada mais existe
Se eu tenho certeza que tu és tudo,
E havendo o tudo,
Não pode existir o nada?

Paulo Schenini
Porto Alegre - RS - Brasil

 
 

 

Paulo Sérgio Nanni

 
 

JAMAIS !!!
Paulo Sérgio Nanni

Quebrei o relógio do tempo
porque não sabe medir,
Acha que o meu sentimento
termina... com um partir.

Mas esse relógio não conhece,
um relógio que tenho no peito;
acha que o tempo é que vence
o tempo de um Tempo-perfeito...

Não quero medir esse tempo
com o tempo desses mortais...
meu eterno sentir é momento,
que nunca passa.......Jamais !!!

Paulo Sérgio Nanni
São Carlos - Brasil

 

 

Pedro Kialongo Avelino (Kiadiakianganicó Diakiangani)

 
 

DESABAFO 46
Por Pedro Kialongo Avelino (Kiadiakianganicó Diakiangani)


Voltando ao mundo do desabafo.
Sem muitas idoneidades atribuladas. Espero, quero e desejo que continue a acreditar nas verdades que compõem este mundo que a cada minuto mostra-se incompleto. Direi somente as mentiras. Para que seja ilibado de qualquer culpa. As verdades perderam o seu valor. O mundo está carregado de acções incultas e vazias.
Para quê só!? Uns vão questionar. Talvez tenha escrito muito e não tenha dito nada. Embora corra este risco, eu quero continuar a escrever: - tentando chamar a tua atenção para qualquer coisa infâme desta sociedade boa e má.
Se as acções de ontem perdem o seu valor hoje, então é melhor que todos voltemos ao ontem, pois, a alegria ficou lá. Hoje não temos nada para falar nem para dar. As acções sociais servem para promoção pessoal. A carreira profissional é mais importante. O dinheiro que se pretende ganhar, depois de passar dias e dias a preparar um plano de negócios capaz e que sirva para ser aproveitado num desses 'pacotes' juvenis.
Embora tudo fique atrás das portas, ontem disseram-me que as paredes têm ouvidos. um dia, elas falarão, demonstrarão que são autênticas consumidoras do produto proveniente das salas frescas pelo ar-condicionado comprado a uns quantos kwanzas.
Nada melhor do que ser angolano e poder beber da água do rio kwanza. Chupar o gelado de múcua. Provar a ' kissangua' da nossa tia que vive lá, distante.
É normal ser anormal nessa normalidade totalmente padronizada. Que aos poucos carrega os erros com acertos. Estou bastante preocupado com as verdades que se contam na minha ' never land', onde as expressões 'tamu juntos' 'etu mu dietu' são usadas para esculpir vontades inertes e prejudiciais.

Pedro Kialongo Avelino (Kiadiakianganicó Diakiangani)
Luanda - Angola
pedrokialongo.blogspot.com

 

 

Pedro Pires Bessa

 
 

CRÔNICA EM MACHADO DE ASSIS
Por Pedro Pires Bessa


Machado de Assis é um dos maiores romancistas e contistas da literatura universal. É também um dos maiores cronistas que existem. Suas crônicas estão em: Machado de Assis, Obra completa. Volume III. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1986. É por essa edição que falaremos sobre crônica em Machado de Assis. Vão, de 1 de julho de 1876 a 11 de novembro 1897, num total de 210 dias, com várias subdivisões cada dia, sendo cada uma dessas subdivisões uma crônica, abrangendo as páginas 323 até 775. Estão colocadas sob os seguintes títulos: “História de quinze dias”; “Notas semanais”; “Balas de ensaio”; “Bons dias”: [todas as crônicas desse setor começam com ‘Bom dia’ e terminam com ‘Boa noite]; “A semana”.
Essa obra está precedida por um texto de Gustavo Corção, mostrando o imenso valor das crônicas de Machado de Assis, sob muitos aspectos. Utilizando todos os recursos da crônica, Machado circula entre o universal e o particular; da sublimidade e do banal; entre os tempos passado, presente e futuro; da mais alta cultura às representações mais populares; resumindo: as crônicas de Machado são a pulsação de tudo o que há de humano, pela captação dos fatos que rodeiam o cronista, não como mero repórter, mas como poeta dos acontecimentos. Para Gustavo Corção, as crônicas de Machado são tão magníficas e valiosas como seus romances e contos.
São infindáveis os comentários que se podem fazer sobre essa produção de Machado de Assis. Quero comentar apenas o tópico número “I” do dia 1 de novembro de 1877, p.369-370, onde Machado fala sobre crônica. Inicia dizendo: “Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor!” Comenta sobre as posições a se tomar com o corpo; levantar assuntos paralelos atmosféricos; relembrar outros temas da moda como “a febre amarela”; suspirar por uma ida a Petrópolis e “está começada a crônica”.
Em seguida dirige-se ao “leitor amigo”, [uma constante nessas crônicas], e com muito charme anota: “esse meio é mais velho ainda do que as crônicas que apenas datam de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve calor e crônica”. De maneira esplendorosa, Machado fala da eternidade da crônica. Por causa da antiguidade do calor, Adão andava nu; entre as causas disso, com humor, anota que naquele tempo “ainda não havia alfaiates”. Comenta sobre a curiosidade de Eva, o surgimento das estações com suas características próprias e observa como se originou a crônica:
"Não posso dizer positivamente em que ano nasceu a crônica; mas há toda a probabilidade de crer que foi coetânea das primeiras duas vizinhas. Essas vizinhas, entre o jantar e a merenda, sentaram-se à porta, para debicar os sucessos do dia. Provavelmente começaram a lastimar-se do calor. Uma, o que não pudera comer ao jantar; a outra que tinha a camisa mais ensopada que as ervas que comera. Passar das ervas às plantações do morador fronteiro, e logo às tropelias amatórias do dito morador, e ao resto, era a coisa mais fácil, natural e possível do mundo. Eis a origem da crônica."
A seguir fala que se deve “dar o lugar de honra que compete” à trivialidade, à quimera. Afirma que a verdade mais suprema que existe, “tão velha como o mundo”, é que: “cada pessoa é sempre mais feliz que a outra.” Cita como exemplo a ida a um cemitério enterrar um amigo, sofrendo com o forte calor; mas os amigos eram mais felizes por estarem protegidos, do que os coveiros que se estafavam abrindo a cova debaixo do sol sem nenhuma proteção.
De maneira extremamente lírica e poética, partindo da trivialidade do calor que nos assedia todo dia, Machado de Assis desvela colossais segredos sobre a crônica: o que ela é, sua história, como captá-la e expressá-la literariamente; tudo de modo tão polivalentemente vivencial, que livros e livros de teoria não conseguiriam exprimir com tanta veracidade o fenômeno: crônica.

Pedro Pires Bessa
Divinópolis – Brasil
www.pedropiresbessa.com.br

 

 

Pettersen Filho

 
 

MOACYR MENDES : “ UM ARTISTA FORJADO A FERRO E A FOGO...”
Por Pettersen Filho, IWA


Reza a Lenda que, Michelangelo, Artista Italiano do Renascimento, ao esculpir a Estátua de Davi, sua Obra Prima, após termina-la, de tão perfeita, até hoje considerada um paradigma, em termos de anatomia, teria arremessado o seu martelo no joelho da pedra de mármore em que fora esculpida, e predestinado, num afã de dar-lhe vida exclamou: “Fala, fala !”, como um verdadeiro Cristo, tamanha a perfeição.
Exageros à parte, Pequeno Empresário, proprietário de uma modesta Serralheria à Avenida Deputado Anuar Menhem, Santa Amélia, em Belo Horizonte, bem de frente ao nosso Escritório, donde, ao longo dos anos estivemos acompanhando as suas rotinas, pudemos perceber, Moacyr Mendes, homem singelo, sempre introspectivo, é outro desses “Michelangelo” moderno, quando atua como quem busca desvendar a psique humana, de gestos longos e poucas palavras, em meio a cantoneiras, barrotes, chapas, arrebites e perfis de ferro, executa trabalhos de Serralheria, tão comuns à atividade que desempenha, junto a construção civil, fabrico de portões, grades, corrimão, como todo Serralheiro, profissional dedicado que é, mas guarda consigo um segredo, ora para nós, não tão segredo assim, que agora nos atrevemos revelar: É um exímio Artesão do Ferro e da Máquina Polícorte, elementos dos quais extrai inquietantes Obras de Arte: Painéis em chapa galvanizada e perfis de ferragem por ele retorcidos, cunhados e fundidos, dando origem a bicicletas ornamentais, porta vaso, lustres, luminárias, peças de decoração e adornos em arame, e ferro, por ele dobrados, e redobrados, Clássicos ou Pós-modernos, todos de extremo bom gosto.
Tempos em que não convivi com o Artista, dizem, Moacyr foi um exímio Jogador de Futebol, em épocas nas quais o Esporte não era tão valorizado, período após o que, passou a apoiar nas Escolas do Bairro pequenas Escolinhas de Futebol e Vôlei, visando tirar das ruas crianças carentes e jovens incursos em transgressão, até quanto foi possível, ao que, dentro da realidade capitalista em que todos têm de comer, passou a exercer seu ofício de Serralheiro, sempre guardando, nas horas vagas, um tempo para a sua criatividade embutida.
Artífice dos Painéis que decoram nosso Prédio temático, “ Cerimonial Inconfidente Mineiro”, alusivo ao Livro de Poesia de nossa autoria, de mesmo nome, Inconfidente Mineiro, coube ao Moacyr, com arte e execução exemplares, retratar, nos quartos, salas e corredores do Cerimonial, cada Poesia e Ilustração do Livro, retirando do Universo empírico do Livro a Arte por nos idealizada, levando a Obra à Alvenaria, afixada nas Paredes, dando real dimensão, e vida ao Prédio.
Trabalho realizado com destemor e grande paciência, que lhe são peculiares, nas telas que resultaram da sua intervenção, Moacyr falou eloquentemente, o que um pouco de cantoneiras, arrebites e soldas, fundidas a ferro e a fogo, por suas mãos talentosas, podem resultar, retirando do plano espiritual, esculturas planas que, somente os Deuses, como ele, Moacyr, podem intelectualizar.
Ser Humano com “S” maiúsculo, puro talento, “Tempera de Aço”, Moacyr é sonho final de Ferro, de toda pedra: Itabira, Itabirito, Itacolomy, Itambacuri, Itamaraju, Itaquera, Itanhaém, Itaúna, Itamarandiba, Itatiaia (“Ita”, do Tupí-guaraní: Pedra), em metal e aço, que pedra alguma jamais ousou sonhar ser: Arte e Vida.
Então, diria o Poeta à obra de Moacyr: “Fala, fala !”

OBS: Para os que quiserem conhecer seu trabalho, visitas podem ser agendadas em:

 hotelinconfidentemineiro@abdic.org.br

Antuérpio Pettersen Filho, IWA
Espírito Santo - Brasil
http://www.abdic.org.br


Antuérpio Pettersen Filho, membro da IWA – International Writers and Artists Association, é advogado militante e assessor jurídico da ABDIC – Associação Brasileira de Defesa do Individuo e da Cidadania, que ora escreve na qualidade de editor do periódico eletrônico “Jornal Grito do Cidadão”, sendo a atual crônica sua mera opinião pessoal, não significando necessariamente a posição da Associação, nem do assessor jurídico da ABDIC.