Abril de 2017

Ano VII - Número XLVl

 

 

Sergio de Sersank

 
 

UMA NOITE NA RUA
Sergio de Sersank (Pseudónimo)

Perdido nos meandros do meu ego
fiquei por horas pensando:
- Sabemos nós do universo
o que sabem de nós as formigas?

Dormi com a cabeça sobre dois tijolos
e tive este sonho ruim:
Rugia o mar num cais escuro.
Busquei a cidade, suas ruas,
seus bares e lupanares,
suas canções de aventuras.

Passou um vulto assustado.
Na faca estendida à frente
havia sangue a escorrer.
Da noite, dos seus arcanos,
a morte horrorosa veio.
Ceifara muitos. Fugi.

Acordo e viro de lado.
Sinto as costas a doer.

Eu baixaria esta noite às profundezas anímicas
da espiral evolutiva de Arquimedes.
Sorveria a alma ancestral das rochas
dormidas no tempo imensurável!

Nelas pudesse esconder-me
por séculos
de tudo e também de mim!...

Mas vejo o dia nascendo.
Pássaros cantam.
As cores devagar se delineiam.

Quase ao alcance da mão
sobre flores rasteiras
entre a grama e a calçada
borboletas voejam.

Lembram-me os voos da infância.
Ah, se pudesse seguir outra vez os caminhos
por trás daquelas colinas!

Ainda me encanta pensar que há ouro
ao pé de cada arco-íris.

Sergio Santos Cunha - Sergio de Sersank (Pseudónimo)
Londrina - (PR) - Brasil


Sergio de Sersank, poeta londrinense cultiva o hábito de escrever desde a juventude. Foi laureado em diversos Concursos de Trovas e Poesia. Parte de sua produção literária pode ser vista no Blog “Estado de Espírito” (www.sersank/blogspot.com.br). Tem publicado versos em diversos sites literários, jornais e revistas do Brasil e do Exterior. Sersank teve sua primeira obra “Estado de Espírito” lançada em 2013 em primorosa edição pela Editora Ithala. Prepara para publicação dois outros livros: “Trovas de Sersank”

 

 e “Poemas Espiritualistas”. Também está vertendo para o Esperanto, língua que domina bem, a obra “Estado de Espírito”.

 
 

 

Sergio Diniz Barros Guedes

 
 

O TRAVESSÃO E A EXCLAMAÇÃO
Sergio Diniz Barros Guedes

- Vem meu anjo,
dá-me um beijo!
- Espera!
Espera um pouco, ora!
- Vem amor,
quero sentir o teu calor,
o calor dos teus lábios,
quero afogar-me com teus beijos,
mata-me o desejo,
com teus seios luminosos.
- Chega!
parece até que é um poeta!
- Não! Ainda não!
Mas se isto é ser poeta,
então sou algo que se revela.
- Tolice! Doidice!
Isso não passa de uma mera exibição!
- Calma querida,
não quero briga,
só quero pousar no teu coração,
vem,
dá-me tua mão,
abraça-me, beija-me, exclamação!
- Aperta-me, aperta-me travessão!

Sérgio Diniz Barros Guedes
Porto Alegre - RS - Brasil


Sérgio Diniz Barros Guedes - sou baiano, nasci na cidade de Maragogipe/Bahia, porém, gaúcho por adoção. Resido em Porto Alegre - RS, cidade onde constituiu família e me formei em Administração de Empresa. Trabalho na área de saúde e também sou professor de Administração Hospitalar, o que faço com muito gosto. Sou um educador que amo minha profissão, meus alunos são uma extensão da minha família. Desde adolescência que escrevo, amo a poesia e é nela que viajo com a paz da existência do viver.Atualmente estou dividindo um pouco do meu tempo, com projetos sala de aula, escrevendo para crianças.

 

 

Sidnei Piedade

 
 

VOCÊ É TUDO EM MIM
Sidnei Piedade


Você está em mim virando um mar de prazer , sinto em seus braços o meu porto seguro , em seus lábios o calor da paixão....sou feliz por estar com você. És a lua que brilha no meu céu, o rosto oculto atrás do véu , minha estrela guia, início, meio e fim. Você é meu motivo pra viver, o sol que me faz acordar para escrever o nosso amor. Te amo do fundo do coração....mais do que as palavras possam expressar , estar contigo é caminhar pela vida confiante, eu sou você, você sou eu...pois meu coração pulsa você. Na passarela do meu coração você é a poesia , uma mulher as vezes feroz...mais linda , um anjo , tudo que sonhei pra mim , um amor de verdade, sensação de voo e liberdade...pois você é tudo em mim. Sidnei Piedade

Sidnei Piedade
Assis - S Paulo - Brasil

 

 

Silvana Mello

 
 

SAGRADO FEMININO
Silvana Mello, IWA

Somos tantas vezes, a palavra dita no olhar,
O sorriso perdido no ar,
O perfume de memórias distantes,
As lembranças impregnadas de nós.
Somos o alimento da vida,
O alicerce da alma,
A personificação da palavra falada, escrita, cantada, chorada, sofrida ou somente clamada do mais profundo de nós.
Somos acalanto, encanto, encantamento,
Somos abrigo em todos os momentos,
Mas também somos tormento,
Avalanche, enchente,
Somos torrente de lágrimas, riso e dor.
Somos paraíso, solo fértil que o mar tocou.
Somos a força da natureza, em toda sua beleza
Exuberância e esplendor.
Somos o sal da terra, a lua que nua encerra
Toda vida que o ventre gerou.

Silvana Mello, IWA
Curitiba - PR - Brasil


Brasileira e paranaense de Londrina. Jornalista, professora, e apaixonada por poesia. Participou da Feira do Poeta nas décadas de 80 e 90. Foi uma das vencedoras do Concurso Marilda Confortin em 2015 e do Concurso Alice Ruiz em 2016, ambos da Prefeitura Municipal de Curitiba, e teve seus poemas publicados em livros com os outros vencedores. Participou da Antologia Conexão I (Feira do Poeta) lançada em 2015 e Conexão II lançada em 2016. Membro da IWA – International Writers and Artists Association. Atualmente escreve uma coluna sobre poesia no site Curitiba de Graça.

 

 

Silvino Potêncio

 
 

A FALAR A GENTE SE (DES)ENTENDE...
Por Silvino Potêncio


Há muitas Luas atrás uma Amiga Minha ela se “abespinhou” toda quando ela comentou um “escrito“ da minha autoria e eu lhe chamei de "Comentarista Arretada"!... e, mesmo depois de ela ter recebido uma explicação formal dada pelo Meu Dilecto Amigo Prof. Dr. João Defreitas – o Brasileiro mais Português que eu conheço - sobre as diferentes formas de falarmos Português dos dois lados do Atlântico, mesmo assim ela não mais voltou e eu acabei por esquecer tal amizade, por certo a amizade dela não era grande coisa e não tinha nada de “arretada” mas ficou-me o comentário na lembrança e por isso vos trago aqui apenas uma parte dessas muitas diferenças que no fim das contas nem são tão "arretadas" assim as diferenças coloquiais informais!... não para quem entende E FALA NORDESTÊS! :


FALAR NORDESTÊS

Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala

Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
Coisa inferior é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro

Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caixa Prego
Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Botão de rádio é Pitoco
E confusão é Arenga

Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado
O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado

E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto
Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala

Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bombom é Confeito
Rir de alguém é Mangar
Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Enxerir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira
Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela

E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar
Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado
Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente da casa é Terreiro

Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala

Aqui, valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada

O pão-duro é Amarrado
Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado
Tocar de leve é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar
Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada

Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada
Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
Sandália é Alpercata
A correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote

E o folgado é Folote
É assim que a gente fala
Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda

Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda
Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso

Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha
Não concordo, é Pois Sim
Estou às ordens, Pois Não
Beco do lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!

Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala
A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau

Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega
Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar

Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado
Estilingue é Balieira
Prostituta se diz Quenga
Cabra medroso é Molenga
O baba-ovo é Chaleira

Opinar é Dar Pitaco
Axila é Suvaco
Se o cabra for mau, é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala
Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó

Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar
A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia

Tic nervoso é Munganga
Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Lombo se diz Espinhaço
Matar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Engembrado

É assim que a gente fala
O afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Quer saber como, diz Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Sujeito leso é pamonha
Manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
E copo aqui é Caneco
No Nordestês Há diferenciação,
Porque cada região
Tem seu jeito de falar !!!

(in: "CARTAS LITERÁRIAS")


De: Silvino Potêncio
Emigrante Nordestino de Tras Os Montes
em Natal/Brasil.
www.silvinopotencio.net