Abril de 2017

Ano VII - Número XLVl

 

 

There Válio

 
 

A ENXURRADA LEVOU...
There Válio

Pensei ter encontrado
Um amor verdadeiro...
Mas fluiu como a enxurrada
De uma chuva de verão
Que leva tudo que encontra
Na violenta corredeira,
E assim deixou ferido
Meu coração de poeta,
Que sonhava em ter um amor
Que ficasse para sempre...
Ao meu lado simplesmente,
Vivendo uma doce paixão.

Olhando o entardecer...
Na calmaria que vem
Com o cheiro da terra molhada
Depois que a chuva se foi,
E o sol pintando as nuvens
Com os raios de sua beleza,
Findando mais um dia.
E assim nós dois juntinhos...
Selando com um beijo ardente
As primícias desse amor,
Era meu sonho real
Que não se realizou.
E a enxurrada da vida...
Esse amor levou pra longe...
Como a chuva de verão.

There Válio
Pilar do Sul/São Paulo/ Brasil


Therezinha Aparecida Válio Corrêa, (There Valio), nascida em Pilar do Sul/SP. Coautora em várias antologias e coletâneas e tcoletâneas de história infantil. Também é autora do livro “O Amuleto do Casarão Amarelo”, editado em 2016.

É membro do site dos Poetas Del Mundo, e também participa do site Recanto das Letras. É membro efetivo da APOLO-Academia Poçoense de Letras e Artes, de Poções, Bahia, onde é titular da cadeira de número 26. Atualmente é membro do Clube Literário e Artístico Nascente das Águas de Pilar do Sul (CLANAmembro da Literarte-Associação Internacional de Escritores e Artistas e da PEAPAZ (Poetas e Escritores do Amor e da Paz).

 
 

 

Thiago Ribeiro Mac Gregor

 
 

DOLORES
Thiago Ribeiro Mac Gregor

Te fiz poesia,
Transformei amor em letra.
Aqui sentado,
sentindo a maresia,
me lembro
de cada uma de suas curvas,
minha morena.
Se do sol,
o brilho eu pudesse roubar,
ainda sim seria pouco
pra expressar,
o quanto amo te amar.
E aqui de frente pro mar,
inconsciente,
ouço sua voz me chamar,
e o som que ecoa,
desperta a libido.
Tu que és doce e intensa,
ora gata, ora leoa,
ora brisa, ora furacão.
Me causa fascínio.
Eu perco a razão,
com esse ar de mistério.
E assim se tornou
A dona do meu coração.

Não sei,
apenas te sinto,
eu sinto muito.
É amor.

Thiago Ribeiro Mac Gregor
Valença - RJ -Brasil


Thiago Ribeiro Mac Gregor nascido na cidade de Valença, região Sul-Fluminense. Residiu durante 1 ano em Santa Cruz do Sul-RS, em 2006 e 7 anos em Goiânia, de 2009 a 2016, atualmente reside em sua cidade natal.
Cursou a faculdade de engenharia ambiental e sanitária.Começou a escrever desde a infância onde colocava no papel toda a sua imaginação criando histórias de fantasia, a paixão pela escrita permaneceu por todas as etapas da vida seja como forma de expressar sentimentos, desabafos ou contemplação. É e será pra sempre um aprendiz. Nunca havia publicado e nem exposto nenhuma de suas obras, fato inclusive várias delas se perderam em meio a mudanças, mas em 2017 participou de sua primeira antologia através do convite da editora “palavra é arte”, onde teve 15 de suas prosas poéticas publicadas.Acredita fielmente que somente através do amor em todas as suas esferas podemos mudar o mundo em que vivemos, fazer poesia é falar de amor, e amor é vida.

 

 

Tonny Cota

 
 

MÃE
Tonny Cota

Me lembro perdido
ainda criança
nos teus braços frágeis
mas seguros.
Dos seus cabelos ao vento,sedosos,
teu sorriso e teu olhar de anjo,
enigmáticos...
Ah,
se pudesse voltar no tempo
e sentir no ar o cheiro
de teu perfume...jasmim.
Sei,
que em teu ventre
plantas-te cinco frutos
de tua amada terra.
Ah,
se pudesse sentir novamente
em meu rosto o tocar de tua boca
num beijo sereno...fraterno
Lembro-me bem,
ainda hoje tua voz ressoa
em meus ouvidos
como o leve fluir da canoa
a deslizar na lagoa
de águas cristalinas,
dizendo:
"Filho meu,sejas feliz"

Mãe,
meu anjo dourado
Tu és,
meu início,
meio
e fim,

Tonny Cota
Itabirito-MG-Brasil

 

 

Urda Alice Klueger

 
 

DONA LAVÍNIA E O GINO
(Excerto do livro “No tempo da Ana Bugra”, publicado em 2016)

 

Por Urda Alice Klueger


Quando o meu pai e o seu sócio desfizeram os negócios, na Praia de Camboriú, ele logo veio para Blumenau para recomeçar a trabalhar no velho emprego e arranjar casa para nós, e a minha mãe com suas crianças moramos algum tempo na Vila Real, Camboriú, na casa da dona Lavínia, antiga cozinheira do nosso restaurante. Penso agora que nunca soube o sobrenome da dona Lavínia, embora tivesse continuado a visitá-la pela vida afora, até muito próximo da sua morte, e me lembrar dela como alguém que fazia comidas deliciosíssimas, como uma carne assada de panela que comi na casa dela muito pouco antes de ela vir a falecer. Maga da cozinha, dona Lavínia também ficou na minha memória como uma mulher de grande coragem, por dois motivos: um deles era a falta de respeito que ela tinha para com as religiões africanas que existem no Brasil: viúva, com diversos filhos para criar, enquanto caminhava, de manhã cedo, pela Praia de Camboriú, para vir trabalhar, encontrava belas oferendas feitas aos orixás africanos, e não tinha a menor dúvida: ensacava as galinhas assadas ou outros quitutes que houvessem sido deixados nos lugares das cerimônias noturnas, e sem nenhum constrangimento levava aquelas iguarias para os jantares com os seus filhos.
A outra coisa que me suscitava admiração era a sua coragem diante das águas. Enquanto estivemos morando na casa dela, ela resolveu fazer uma cerca nova, e para tal precisava de bambus novos, muitas canoas cheias de bons bambus novos. Então, nas manhãs, munida de um facão, ela entrava numa canoa ancorada no rio próximo, e remava para algum lugar remoto onde havia grandes bambuais à beira do rio. Voltava nas tardes com a canoa chapada de feixes de bambu, e depois que houve bambus suficientes, ela refez toda a cerca em torno da sua propriedade, uma coisa que me impressionou deveras.
Nesse tempo em que moramos na casa da dona Lavínia, o meu pai vinha nos ver nos seus dias de folga, e era uma alegria muito grande escutar a sua chegada, vê-lo de novo com a gente! Estava difícil conseguir uma casa – essas coisas de falta de moradias no terceiro mundo, pelo jeito, são endêmicas. Então um dia ele veio dizendo que o nosso tio Júlio Klueger estava nos cedendo para morar a antiga casa do seu boleeiro. Tio Júlio, dono de vistosa parelha de cavalos, que lembro, marrons, tinha um “carro de mola na praça”, o que equivale a dizer que tinha um antepassado de um táxi puxado a cavalo, e assim como os táxis de hoje precisam de motoristas, os carros de mola precisavam de boleeiros para guiá-los. Então, num certo pedaço de terra do tio Júlio, havia uma casinha onde tradicionalmente morava um boleeiro dele com sua família. Penso, agora, que aquela casinha estava vazia porque tio Júlio deixara de ter o carro “na praça”, mas não tenho certeza. Também não sei quem foi o último boleeiro que ocupou aquela casa – mas tenho lembrança de um boleeiro anterior, chamado Gino, que fazia coisas insólitas para a nossa cabeça tacanha, como ir dormir na grama dos pastos circundantes nas noites de grande calor.

(Escrito em julho de 2010, época de grande frio)

Urda Alice Klueger
Blumenau - Brasil


Escritora, historiadora e doutora em Geografia.

 

 

Valdir Cremasco

 
 

NEM GOSTO DE LEMBRAR TEU BEIJO...
Valdir Cremasco

Nem gosto de lembrar do teu beijo...
É ruim demais não poder tê-lo!
São beijos sem jeito, são beijos tão divinos.
De todo jeito você me beija,

Com beijos de amor
Que revelam paixão
Que afloram minha paixão
Que me deixam sem ação.

Você me beija de todo jeito!
E dentro de mim vai crescendo
Um maluco sentimento de desejo
E entre abraços e mais beijos

Você vai me completando
E por mais que a gente se ame
E por mais que vamos nos amando
A cada instante sem você

Eu exclamo:
Vem me dar um beijo longo!
Um beijo que seja eterno!
Vem me deixar feliz, com esse seu beijo
Sem jeito, divino e mágico...

Vem saciar meu desejo!
Mesmo sem jeito...
Com seu beijo...
...Vem!

Valdir Cremasco
Campinas - SP - Brasil
www.valdircremasco.blogsport.com.br


Eu: Antonio Valdir Cremasco (Valdir Cremasco), tenho 65 anos, estou Viúvo, resido em Campinas, SP. Tenho três livros editados de forma independente, Intimidades, Orações e Desabafos e Coisas do Coração, e, estou preparando para este ano o lançamento de Tributo ao amor. Aposentado, trabalho hoje na Rádio Brasil Campinas, Rádio da Arquidiocese de Campinas, onde apresento o programa Povo de de Deus de segunda a sexta feira das 16 às 17:15 e rezo o Santo Terço com os ouvintes das 17:30 às 17:55.