Junho de 2017

Ano VII - Número XLVII

Suplemento Junino

 
 

José Alfredo Evangelista

 
 

QUADRILHA DE SÃO JOÃO
José Alfredo Evangelista

Ô festa animada!
Essa tar de quadria de São João!
A gente grudada na parcera
Dança sem fazê cêra!
É balancê pra cá e pra lá...
No chachado da sanfona
Sai uma dança cafona!
Os homi de camisa e gravata...
A carça curta e botina
E chapéu na cabeça!
As muié de rendada
E fita na cabeça.
Bem juntinhos na parceria
E às veiz tem troca
No cumando do cantado!
Depois tem as barraquinha
Que anima com cochinha
E muito quentão no coração!
Mais o casamento é muito gozado:
O pai da noiva sempre apronta...
E o padre não aceita afronta!
No finar, tudo fica casado.
E os noivo sai muito feliz
Com o que o padre diz!
Os rojão assusta todo mundo
Mas a foguera não deixa ninguém com frio!
Balancê... Vai chuvê!
Balancê... Passando em cima da ponte!
Balancê... Tudo se cumprimentando!
Balancê... As dama cumprimenta os cavalero!
Balancê... Os cavalero cumprimenta as dama!

A quadrilha ferve e a turma rasta o pé,
Levanta a poera e a sanfona num para!

Êpa!... “Troca de dama”...
Uma pra cá e outra pra lá!

Caminho da roça... Olha a cobra!
É mentira... Caracol...
Olha o urinol...

Despedida... E a turma sai no galope.
Mas a festa continua.
Rola o cuscuz e o quentão,
A pipoca cai no chão,
Sobe o balão,
Tem muito pinhão!

José Alfredo Evangelista
Lorena - SP - Brasil

 
 

 

José Carlos de Arruda

 
 

FESTA JUNINA
Por José Carlos de Arruda


As festas juninas (depois do carnaval) são as maiores representantes de nossa cultura, em especial nos estados do Nordeste. Seguiremos com um pequeno comentário sobre as principais festas e suas respectivas cidades.
Em Campina Grande, na Paraíba, esta festa se estende o mês inteiro no grande “Parque do Povo” desde 1983. Queima de fogos, trios elétricos com o tradicional forró pé-de-serra, campeonato de quadrilhas, casamento coletivo (de verdade) no dia de Santo Antônio (13 de junho) e passeios no Expresso do Forró, uma locomotiva (com temas juninos) que leva até o distrito rural de Galante, com forró dentro dos vagões. Calculadamente mais de 100 mil pessoas, por noite, percorrem incansavelmente suas dependências.
Na cidade de Caruaru, em Pernambuco, a animação também é intensa. São 500 shows acontecendo em seus polos pelo município, quadrilhas com até quatro mil pessoas, forrós, festival de comidas gigantes e desfiles que lotam o “Pátio de Eventos Luiz Gonzaga”. A cidade se enfeita com 50 mil metros de bandeiras, 60 bonecos temáticos e centenas de balões. A duas horas de distância, a capital Recife, também promove intensa programação com a sua famosa festa “São João da Capitá”.
Em Aracaju, Sergipe, realiza-se seu evento principal e mais popular o “Forró Caju”. Todo ano, cerca de um milhão de pessoas se reúnem na praça de eventos para dançar ao som de sanfonas e zabumbas e assim a quase 200 shows de cantores, bandas e quadrilhas. Um evento paralelo acontece na orla de Atalaia é o “Arraial do Povo” com shows de bandas regionais de forró, apresentação de grupos folclóricos e até uma orquestra.
Vamos agora para Mossoró, no Rio Grande do Norte. A “Mossoró Cidade Junina” completou 20 anos em 2016. Este evento acontece na simpática cidade do Oeste potiguar a 4 horas de Natal. O tradicional bloco junino “Pingo do Mei Dia” arrasta multidões pelo corredor cultural da cidade, trios elétricos de diversas atrações musicais. A festa continua com o espetáculo teatral “Chuva de Bala” que conta a história que expulsaram o Lampião (Virgulino Ferreira) em 1927.
Agora, chegou à vez de Salvador, capital da Bahia e mais de cem outros municípios promovem muitos shows e festejos de São João. No Pelourinho e no Subúrbio Ferroviário não é diferente. “Arraiá do Galinho” é um dos mais tradicionais. Ainda temos o “Arraiá do Chico” e o “Forró do Piu-Piu”.
A nossa viagem pelas cidades em questão, chegamos agora em São Luiz, no Maranhão a tradição desde o século XVIII, segue firme e também arrasta multidões na cidade. E a festa do “Bumba-Meu-Boi” que começa no dia de Santo Antônio. Grupos de folclore de todo o Estado se encontram nas ruas para contar a história da escrava Catirina e seu marido. O principal palco é o da “Praça Maria Aragão”. Além das tradicionais barracas de palha, os palcos recebem o Boi da Fé em Deus, Boi Brilho de Sol Nascente e o Boi de Maracanã.
A cidade de Teresina, no Piauí, também se transforma e se enfeita para a festa. São 40 shows de música, 25 grupos de quadrilhas que se apresentam ao grande público. A feira de artesanato, e uma variada praça de alimentação com comidas típicas completam a festa.
As roupas de “caipira” próprias destas festas ficam por conta de cada um de nós, bem como as quadrilhas, os quitutes inigualáveis e aquele conjunto de gente bonita e tradicionalmente feliz que é o povo nordestino.

José Carlos de Arruda
Rio de Janeiro - RJ - Brasil

 
 

 

José Ernesto Ferraresso

 
 

TREI SANTU DU ARRAIÁ
José Ernesto Ferraresso

Ao terminá o meis de maiu,
inicia o meis da festa de arraiá.
Du Nordesti inté Sum Paulu,
as festas juninas vau cumeçá.

Vamu tudu juntu cumemorá,
os trei santu du arraiá.
Santantonhu, Sun Juãu, e Sun Pedru,
trei santu qui temus do qui falá.

Suntantonhu é casamentero,
Sun Juau maió festeru.
Sun Pedru é o chefi da festa,
pur issu é o derradeiru.

Cumeça o arraiá das cidadis,
festa junina e vamu festejá.
Tem quadria pra tudu ladu,
cum pamonha, canjica, mio verde
e bolu de fubá.

Esta na hora de nois se prepará,
purque a quadria vai cumeçá.
Vamu dançá inte se cansá,
amanhecê dançanu pra mode
ve o sor raiá.

José Ernesto Ferraresso
Serra Negra - Brasil

 
 

 

 

 

 

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