ABRIL de 2018

Ano VIII - Número LI

 
 

Deby Veneziano

 
 

ANCORA-ME
Deby Veneziano

Pegue minha mão e guie o caminho,
me diga que tudo vai ficar bem.
Sussurre em meu ouvido,
todos seus desejos mais secretos.
Beije meus lábios ,
toque minha pele,
me queira por perto.
Na solidão da noite,
seja meu farol, meu porto.
Ancora-me em seu corpo.
Dê-me asas para que eu possa voar,
e ninho para que eu queira voltar.

Deby Veneziano
São Paulo-SP
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M.C Academia de Letras Teófilo Otoni

 
 

 

Deise Torres

 
 

ASSIM SÃO AS MINHAS POESIAS
Deise Torres

De minh’alma o sentimento,
Em verso triste e de emoção,
Que grita e também se cala
E, chorando, escreve canção.

Tem canto alegre a badalar,
Outro em grito de aflição;
Ou tem somente algum falar,
Sem ter motivo ou razão.

Às vezes, rindo eu escrevo,
Poema sem rumo ou direção;
Só à minh’alma eu obedeço
E o verso nasce sem discussão.

Tem verso que nasce pronto
E outro que nasce em três dias;
Tem verso só lamentando,
Outro em grande alegria.

Algum revelado indiscreto,
Outro simples e bem puro.
E ainda aquele inquieto,
Que se sente muito inseguro.

Tem verso bem acanhado,
Mas não é um verso qualquer.
E também algum assanhado,
Que se revela contra a maré.

Tem aquele desconfiado,
Que não dá um pio sequer.
E verso que vive implorando
E grita sem nem dar fé.

Em minhas poesias estão:

Sentimento que não revelo,
Talvez sentimento ruim;
Sentimento também sincero
E outros nem tanto assim.

Há sentimento escancarado,
Já outro nem tanto aberto.
Sentimento que está sufocado
E outro ainda secreto.

Minhas poesias são assim:

Sentimento surdo-mudo,
Só de candura e emoção;
Sentimento bem desvairado,
Cheio de loucura e paixão.

Todas seguem algum caminho,
Às vezes, torto ou com retidão;
Todas seguem as tuas pegadas
E pregadas em você estão.

Algum verso está à mercê,
Agitado e até imaturo;
Procurando em vão por você,
Pra ter o seu porto seguro.

Às vezes, versejo chorando,
Outra vez poeto a sorrir.
Hora eu me sinto presa,
Hora solta por aí.

Eu sou sentimento calado,
Que está prestes a explodir;
Me sinto um vestido guardado,
Que nunca se pôde vestir.

Minha poesia se sente a rosa,
Que do jardim foi arrancada;
Que fura com seu espinho,
Mas cai ao chão, despetalada.

Meu poema é o retrato
Do amor que calou, enfim.
Também do amor revelado,
Que não coube mais em mim.

E minha poesia que se cala,
Fala à outra que badala,
Se invoca, cutuca e provoca,
Insiste e pergunta assim:

– Por que expressar esse amor,
De forma tão devassada?
Porque se virar pelo avesso,
Se nunca, jamais, foi amada?

E a outra revela sem tropeço:
- Eu sei que fui rejeitada,
Mas mesmo não sendo amada,
Eu tive meu Grande Amor!

Deise Torres
Rio Branco - Acre - Brasil

 
 

 

Delma Gonçalves

 
 

FONTE CRIATIVA
Por Delma Gonçalves


A manhã nublada promete… A pressa matinal tropeça nas curvas do caminho. Na rapidez dos passos tento driblar a atmosfera úmida do tempo cinzelar. Coloco o meu Ray-ban. O vazio da mente começa a acordar ante a paisagem cúmplice, das primeiras horas que anuncia o inicio da labuta. Viajo nas pegadas andarilhas rumo ao escritório. Pelos vidros da janela visualiza-se a escrivaninha. Na mesa: os papéis, a caneta… A espera de mãos para tocarem macias, a sonoridade melódica das palavras ainda virgens… Ali elas já começam a se insinuar pelo ar - a se esparramarem com fome de mensagens fictícias. O branco das folhas vazias… É um convite para inovações. Fico precipitada… Atemorizada… Aflita. Os molhos das chaves abrem perspectivas, em seu barulho tradicional. No ambiente, o clima propício: silencioso silêncio. Desvisto a jaqueta. Dependuro na cadeira ansiedades. As minúcias das horas decretam a inutilidade da correria. Os invisíveis problemas catalogados na memória. As políticas a penetrarem pelos vãos dos acontecimentos globalizados que vão se perdendo repetitivas nos anúncios dos jornais. As manchetes sangrentas já não atraem a curiosidade do mundo nem dos olhos do futuro. Violências estão por toda parte, são assuntos corriqueiros como se fossem normais. A rotina chega aliada eu saúdo a felicidade de estar ali. Na minúscula sala os gestos cronometrados atropelam o imaginário de um tudo. Os pensamentos fervilham. O flash no cérebro cintila em tons lúdicos… O trabalho não dá trabalho... Observo que a sensibilidade se aflora. Escrever é como revirar segredos guardados dentro de mim. Prescrevo o sorriso do meu pensamento, alio-me ao momento no auge do que virá. Escrevo como se tivesse fome de palavras inovadoras. Pausa... Levanto a bunda da poltrona, me aprumo. Do um tempo pro silencio se tornar mais reconfortador. A cafeteira a única presença que incentiva o sentido gustativo do ato de se expressar. De se renovar… O espelho da vidraça reflete a realidade nua e crua. Vida em alvoroço. A manhã passa rápido.Automaticamente estou. Passo meu batom rubro. O sabor do café incentiva. Acendo um cigarro e trago a fumaça em espiral deixando rastros de seu odor rançoso característico e apaixonante como um imã que me anima a produzir o verbo em seu estado imaginativo. Aí, mergulho na fonte criativa do meu lado sensível, ante as ideias fervilhantes do dia a dia…

Delma Gonçalves Mattos da Silva - Poetisa & Compositora
Porto Alegre - RS - Brasil
Blog: delmacompositora.blogspot.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/delmagoncalves.mattos

 
 

 

Deodato António Paias

 
 

POEMA SOBRE O DIA 25 DE ABRIL/1974
Deodato António Paias

A nossa revolução
Foi um golpe militar
Dia 25 Abril emoção
O povo quis partilhar.
As razões da revolta
A censura em Portugal
A vida difícil imposta
E a Guerra Colonial.
Os partidos proibidos
Miséria e emigração
Emigrantes indevidos
Clandestinos da Nação.
Muitas as consequências
Mas uma grande alegria
Criadas as divergências
Também muita hipocrisia.
A Junta de Salvação
Programa das Forças Armadas
Políticas de orientação
Muitas coisas protestadas.
O ideal democratizar
Tanta coisa a fazer
Rápido descolonizar
As colónias devolver.
Acabar com a guerra
Presos políticos libertar
Acabar a vida severa
Com a censura acabar.
Viver em liberdade
Num regime democrático
Esta a grande realidade
Que foi muito emblemático.
O vinte cinco de Novembro
Merece nossa homenagem
Se ainda bem me lembro
Vamos prestar-lhe homenagem.

Deodato António Paias
Lagoa - Algarve - Portugal