ABRIL de 2018

Ano VIII - Número LI

 
 

Tonny Cota

 
 

QUERIDA MENINA
Tonny Cota

Bom dia menina flor
que seja sempre seu humor
razão da minha inocente
palavra de amor
Que os sonhos sejam perfeitos
guardados em nosso peito
em batidas aceleradas
como as asas do beija flor
Vennhas e voas
nas asas do pensamento
vens... trazes-me teu alento
que és meu alimento
doce dos encantamentos
no qual me embrenho
e fico a viver em nuvens
brancas da euforia
que me tomas
noite e dia.
Venhas,
me fazes visitas
em meus sonhos dourados
com teus cabelos cacheados
a parecer como anjos
faças de mim teu ajudante
trazes-me notícias boas
do amor celeste
trazes-me a prece
onde tudo é bonito
não existe os malefícios
desta terra tão difícil
Venhas,
enchas-me de alegrias
cante cantos gregorianos
onde o tempo e o momento
tens teus sábios encantamentos
em fatos e fotos gravados
no livro da Sabedoria
Venhas,
faz-me em versos a vida
tira de mim as feridas
cicatrizá-as
com os teus toques de literatura
retira os meus espinhos
enchas-me do saber
e deixe somente a flor
símbolo do teu amor
envoltos de versos e prosas
Venhas,
retiras-me do limbo
de pensamentos imperfeitos
guardas-me e protejas-me
das trevas deste mundo
faças-me largo e profundo
de tua humilde altivez
Levas-me
em teus braços suaves
a caminhar sem pressa
nos jardins e nas florestas
como se fosses uma ave
de poderes universais
Venhas,
me tomas daqui
antes mesmo que tudo
não venha consumir
o que ainda existe
de belo
neste singelo
querubim
Sejas anjo
semeador de sonhos
dos sonhos
que vivem em mim!...

Tonny Cota
Itabirito - MG - Brasil

 
 

 

Urda Alice Klueger

 
 

NO TEMPO DA BOLACHA MARIA
Por Urda Alice Klueger


Eu cresci no tempo antigo, antes da televisão, da geladeira, dos supermercados e das guloseimas sofisticadas de hoje. Na minha infância, comia-se bem, mas a variedade era pouca. Uma mesa de café farta era uma mesa que tinha pão (de casa ou de padeiro – pão de padeiro não era comprado na padaria: o padeiro o entregava nas casas, de manhã cedo, com uma carrocinha puxada a cavalo), queijo branco e queijo amarelo, lingüiça, manteiga (ainda não existia a margarina por aqui), nata fresca, mel de abelha e os muitos mussis que as mães da gente faziam com as frutas do pomar. A gente variava deste jeito: hoje comia pão com mel e nata; amanhã, pão com manteiga e mussi de banana. Em dias especiais, comprava-se um pouco de salame, considerado iguaria, comido com parcimônia devido ao preço. Se a mãe da gente fosse prendada, que era o caso da minha, fazia uma porção de docinhos de polvilho no forno à lenha, e gostosos bolos nos dias em que fazia pão.
Para comprar na venda (para os jovens: venda é o antepassado de supermercado), havia balas azedinhas e balas de coco-queimado, mata-fomes (uma bolacha grosseira,feita por padeiro), e a bolacha Maria. Não pensem, porém, que se chegava na venda e se comprava um ou dois pacotes de bolacha Maria, como se faz hoje – não, a gente pedia 200 gramas de bolacha Maria, e o dono da venda abria uma lata enorme cheia de bolachas, e pesava os 200 gramas num saquinho de papel pardo, que a gente levava para casa com muito orgulho, quiçá se exibindo para as outras crianças que não tinham comprado bolacha Maria. Vale lembrar que a bolacha Maria daquela época era igualzinha à que existe hoje.
As balas e a bolacha Maria eram o máximo de guloseima que existia na minha infância, nos dias normais. Em dias especiais, que eram o Natal e a Páscoa, ganhava-se chocolates. Chocolate era uma coisa que só era vista nessas duas ocasiões do ano. Minha tia Frieda, quando vinha do Rio de Janeiro, uma vez por ano, trazia umas balas de coco diferentes, que eram a nossa alegria.
Na época em que entrei na escola, lá por 1960, começaram a existir outras guloseimas: o sorvete-seco, a maria-mole, o puxa-puxa. Minhas professoras, todas freiras oriundas de Minas Gerais, um dia fizeram e venderam no colégio legítimo doce-de-leite mineiro. Que sabor maravilhoso que aquilo tinha! Por anos, talvez, sonhei em comer aquilo de novo – ainda tenho aquele gosto de doce-de-leite na boca!
Havia em Blumenau, também, as confeitarias: Socher, Tönjes, lugares sofisticados onde às vezes o meu pai me levava para comer um doce diferente. E havia as cocadas e os sonhos que se compravam quando se viajava de trem, mas tudo isso eram exceções: o dia-a-dia só nos apresentava as pobres balas das vendas, e a bolacha Mariaa. Balas mais sofisticadas só apareceram na minha adolescência (Chuva-de-ouro, Chuva-de-prata, bala de cevada), e eu estava bem grandinha quando surgiu o chiclete bola Ping-Pong, sabor hortelã.
De repente, lá por volta de 1970, houve um boom nas guloseimas. Em primeiro lugar, apareceram os supermercados com variedades incríveis de bolachas recheadas, iogurtes, coisas divinamente saborosas, que não conhecíamos. Os frios se multiplicaram, e lembro da primeira vez que comi presunto cozido – que coisa deliciosa! Era toda uma nova gama de sabores que vinha encantar a gente, e foi também ali por volta de 1970 que surgiu em Blumenau uma novidade fantástica: os carrinhos de cheese-salada! Com certeza, nas últimas décadas da história da cidade, não havia acontecido nada parecido com aquele estrangeirismo que vinha, de repente, modificar profundamente os nossos gostos alimentares. Com os cheese-salada veio a descoberta da mostarda amarela, do catchup, da maionese sem ser com batatas, a valorização do milho verde e da ervilha, a descoberta do gosto picante do molho de vinagrete. A mistura de todos aqueles sabores novos num só sanduíche era uma coisa paradisíaca, e um programa importante da minha juventude era ir comer cheese-salada, não importava se fosse cinco horas da ‘madruga’ – não se podia sair de uma festa e ir dormir sem um abençoado cheese-salada!
O tempo passou, e todos os novos sabores que surgiram faz quase três décadas se incorporaram normalmente ao nosso dia a dia, e creio que já não saberíamos viver sem eles. Mas, às vezes, me bate uma saudadezinha da minha infância, da simplicidade das guloseimas de então, e daí passo no supermercado e compro... um pacote de bolacha Maria. Continua sendo muito gostoso.

Blumenau, 11 de agosto de 1996

Urda Alice Klueger
Blumenau - Brasil


Escritora, historiadora e doutora em Geografia

 
 

 

Valdir Cremasco

 
 

HOJE QUERO LHE DEIXAR UM BEIJO
Valdir Cremasco

hoje quero lhe deixar um beijo...
um beijo que tenha o seu gosto...
um beijo que dure o quanto quiser...
um beijo de lábios apertados...
um beijo de lábios entreabertos...
um beijo de toque labiais suave...
um beijo de olhos abertos desconfiados...
um beijo de olhos fechados, sonhadores...
um beijo de viagem inesperada...
um beijo que não tenha volta...
um beijo que nada quer dizer...
um beijo que diz tudo no tempo que durar...
hoje quero lhe deixar esse beijo...
você o quer?

Valdir Cremasco
Campinas - SP - Brasil
www.valdircremasco.blogsport.com


Eu: Antonio Valdir Cremasco (Valdir Cremasco), tenho 65 anos, estou Viúvo, resido em Campinas, SP. Tenho três livros editados de forma independente, Intimidades, Orações e Desabafos e Coisas do Coração, e, estou preparando para este ano o lançamento de Tributo ao amor. Aposentado, trabalho hoje na Rádio Brasil Campinas, Rádio da Arquidiocese de Campinas, onde apresento o programa Povo de de Deus de segunda a sexta feira das 16 às 17:15 e rezo o Santo Terço com os ouvintes das 17:30 às 17:55.

 
 

 

Valentina Nascimento Pinto

 
 

SENSAÇÃO CRISTALINA
Valentina Nascimento Pinto

Pura como água;
Leve como a brisa;
Sensação sem trégua;
Sensível como nuvem lisa.

Como se tivesse asa,
Voando no infinito, sem trégua,
Chegara à água e deságua,
Chegando, ali, finaliza.

Sensação que se sente até à ponta da língua;
Algo que contagia toda casa,
Sem limite de felicidade, sem trégua.
Cristalina e envolvente como a brisa,
Felicidade, que em nosso coração, deságua.

Valentina Nascimento Pinto
Porto Alegre - RS - Brasil


Valentina Nascimento Pinto nasceu em 04 de agosto de 2001, em Porto Alegre (RS-BR); Filha de Letícia Oliveira Nascimento & Daniel Goulart Pinto; Estudante da Associação Conhecer de Educação e Ensino; Membro Efetivo da Academia de Letras Machado de Assis, de Porto Alegre (RS-BR), Cadeira Nº 31, Patronesse Rachel de Queiroz; do Clube Infanto-Juvenil Erico Verissimo, da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, de Porto Alegre (RS-BR) e do Projeto “Imagens e Textos construindo Histórias e Versos”. Tem participação online e no site Celeiro da Alma. Seus versos são dotados de poderes mágicos e encantadores, oriundos dos diferentes estados de alma.