JUNHO de 2018

Ano VIII - Número LII

 
 

Deby Veneziano

 
 

AO SEU LADO
Deby Veneziano

Adoro quando me abraça ouvir sua voz,
que me estremece.
Sentir teu calor,
ao me afagar.
Adoro teu olhar.
Ah, teu curioso olhar,
que me faz mais mulher.
Adoro tudo com você;
o dia a dia,
o desafio,
o prazer e a paz.
De querer estar com você,
e ninguém mais!

Deby Veneziano
São Paulo-SP
https://poesiaemfotografia.wordpress.com
https://www.instagram.com/debyveneziano
www.facebook.com/debyveneziano


M.C Academia de Letras Teófilo Otoni

 
 

 

Deise Torres

 
 

UM OLHAR DENTRO DE MIM
Deise Torres

Às vezes eu olho para dentro de mim;
Abro uma porta e me deixo entrar.
Ao me enxergar fico da cor de carmim;
Até mesmo ouço uma lira a tocar.

Já n’outro momento eu sinto que a lira,
Todo o meu corpo faz silenciar;
Então fecho a porta pra não mais abri-la;
E assim, eu a deixo de vez emperrar.

O que me inquieta dentro de mim,
São muitas mulheres sem rumo qualquer.
Talvez toda mulher se sinta assim,
Vendo-se muitas, numa só mulher.

Eu vi mulher corajosa,
Vi mulher também medrosa
Com sossego em pavorosa.

Eu vi mulher com alegria,
Mulher que auxílio pedia,
Vi mulher pedindo perdão.

Eu também vi mulher triste,
Mulher que se conformava,
E mulher na contramão.

Eu vi mulher que sonhava,
E que também protestava,
Mulher sem definição.

Acredite, eu vi enfim,
Eu vi umas mil mulheres
Ao olhar dentro de mim...

Deise Torres
Rio Branco - Acre - Brasil

 
 

 

Delma Gonçalves Mattos da Silva

 
 

MULHERES DA MINHA VIDA
Por Delma Gonçalves Mattos da Silva


Como pássaros em bando foram chegando com seus vôos rasantes em majestosas revoadas num armistício de paz. Mulheres que significam muito e de tudo são capazes. Interplanetárias, espiritualistas, metafísicas. Elas chegaram de uma distante galáxia, saltando de asa-delta no quintal de minha morada. Com seus olhares sutis... Profundos... Mulheres do mundo. Em algumas me identifico. Coisas da ciência... A mesma descendência, ou da genética, que nos irmanas são as Carlindas, Alexandras, Gracianas. E assim foram chegando, pluralizando-se em minha vida. Essa vida cotidiana. Com seus nomes diferentes, apelidos sintéticos, que lhes dão fama. Mulheres amigas, fraternas em suas resplandecências. Sim elas têm a chama. Com ares de Madonas infiltraram-se em meu caminho, com suas cores cintilantes, inundando-me de luzes. Elas seduzem. Confidentes, carentes, amorosas, éticas. Vão abrindo-me as ideias. E fazem do meu futuro laços duradouros. E as que nos momentos de tristeza, tem o dom da palavra. Não fazem melodramas. Dá-me o colo, o ombro amigo, o aconchego que preciso para cada dia da semana. Prestativas, eficientes, traquinas, bem humoradas, sorridentes, intuitivas, independentes. Sem o mito da Amélia (aquela que era a mulher de verdade). Mulheres que para mim não tem idade. Elas permanecem nas visões do dia a dia, joviais, numa louca euforia que relembro com saudade. Ah! Como me fazem falta! No café, no almoço, no jantar, na varanda da minha casa,onde muitas engatinharam, dando seus primeiros passos ali. Simpáticas, afetuosas, sinceras. Cheias de bom humor e cumplicidade, ofertam-me néctar de felicidade. Finíssimas em seus perfis, inteligentes, filosóficas, anjos cabalísticos. Mestras na arte de ensinar, delas sou aprendiz. Fortes decididas com suas lições de vida lembram as mulheres de Atenas. E são de tudo um pouco... Mães, mucamas, para os momentos de reflexão. O céu... Meu chão... A batida do coração. Mulheres femininas em que a beleza está nem suas feições de meninas. Algumas magrinhas. Outras gordinhas, independentes, bem resolvidas. Elas são decididas! E há aquelas que se inseriram em minha vida fazendo-me reviver bons momentos com suas histórias na tela. Vidas cotidianas repetidas nas novelas. Mulheres que sobrevivem dos alheios dramas doando seus talentos e sonhos. E as que vemos no cinema. Elas são perenes, mulheres encantadas, sofrem, choram,se entregam, dão risadas, numa corrente de recados televisivos, globalizados. Solidárias enriquecem-me. E as que me mandam scraps, com seus vocabulários abreviados, linguagens da internet. Num simples "oi" carinhoso que abranda a minha solidão. Assim como num passe de mágica feito uma prece. E como esquecer aquelas que brincam com as palavras e fazem delas uma festa. Sim são as mulheres poetas. Com seus poemas românticos, versos livres, contemporâneos. Todas ecléticas, malabaristas das letras, eles tem maestria. E as com seus brilhos de estrelas que fazem do tom da voz a sonoridade como liturgia. Cantando nos barzinhos, nas boates, no fim de noite, até clarear do dia. Mulheres de peles morenas, pretinhas, sararás, esbranquiçadas, afro descendentes, índias, de cores encantadas. Estrangeiras, poliglotas, numa aquarela abrasileirada. E as que passam por mim anônimas, num aceno de bom dia, no super, no shopping, no cinema, na rua da praia, no Brique da Redenção. Alegrando-me numa simples saudação. Ainda tem as que nos momentos de nostalgia, lavam minha alma. Curam-me das dores com seus acordes musicais. Essas mulheres cantantes, celebridades, com suas musicalidades que me faz no tempo viajar. Assim como da Elis com seu canto de colibri. Não podem faltar. O som de seu acalanto fascina e me faz feliz. Assim elas vão passeando em meu destino, num incontido renascer. Muitas outras virão, algumas irão desaparecer, pelas nuvens do acaso. Com suas imagens inseridas, figuras interativas. Jamais serão esquecidas. Algumas ficarão na fila das entrelinhas deste poema. Sonorizadas tal qual melodia de uma canção, um blues, de um chorinho sem letra embalando meu viver. São aquelas que ainda vou conhecer... Elas enfeitarão a minha última morada com as sementes brotadas num canteiro a florescer... Ah! Essas mulheres de todas as vidas! Elas são as luzes do universo, o majestoso alvorecer. Com seus ventres, seus intelectos e seus sorrisos maternos... O passado e o futuro serão eternos... Esotérico princípio de um infinito permanecer...

Delma Gonçalves Mattos da Silva - Poetisa & Compositora
Porto Alegre - RS - Brasil
Blog: delmacompositora.blogspot.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/delmagoncalves.mattos

 
 

 

Deodato António Paias

 
 

POEMA SOBRE O VELHO DESGRAÇADO
Deodato António Paias
-- - - - - -
Estava um velho no jardim
Olhou para mim assustado
Nunca vi nada assim
Tive pena do desgraçado
- - - - - - - -

Estava frio e chovia
Noite muito escura
Notei nele amargura
Sem nenhuma alegria
Parece que me conhecia
Aproximou-se de mim
Com tristeza sem fim
Pobre do velho coitado
Com a vida amargurado
Estava o velho no jardim.

Tremia com muito frio
E com fome se calhar
Para todos a olhar
Falava da sua família
Da vivência com quezília
Parecia desconfiado
Certamente conturbado
Parecia surpreendido
Com o acontecido
Olhou para mim assustado.

Estava todo molhado
Mas tinha boas maneiras
Não dizia asneiras
Sabia bem o que dizia
Só queixume fazia
Olhava muito para mim
Num grande frenesim
Não falava do passado
Pobre velho coitado
Nunca vi nada assim.

Estava em sofrimento
Um pobre sem-abrigo
Com a vida em perigo
Arruinado pela austeridade
Falava na infelicidade
Com a vida inconformado
Dizendo ser vigarizado
Trabalhou a vida inteira
Sofrendo desta maneira
Tive pena do desgraçado.

Deodato António Paias
Lagoa - Algarve - Portugal