Ago de 2013

Ano III - Número XXIV

 

ESPAÇO POÉTICO

 

Pedro Du Bois

TESTEMUNHO (inédito)
Pedro Du Bois

Sou testemunha circunstancial:
não guardo mágoas
não transbordo
viajo em barco atracado
no cais da eternidade
(traduzo: espaço perdido
no tempo confundido em lastro).

Avisto a terra conhecida e do alto
do mastro aviso aos navegantes:
terra entrevista
terra até a vista.

Pedro Du Bois
Brasil

 

 

Samuel Freitas de Oliveira

SONHANDO
Samuel Freitas de Oliveira

No teu plácido olhar minha paz encontro,
Pois ele é luz nas noites dos meus dias;
Na calma do teu riso acho poesias,
Porque a perdida inspiração reencontro.

Nas carícias que fazes me estremeço,
No cheiro que exalas me embriago;
Na teu jeitinho meigo eu me naufrago;
No calor dos teus beijos eu me enlouqueço.

O som da tua voz me delicia,
Traz à minh'alma doce melodia,
Em vibrações de amor e de afeto.

Tua calma reacende-me a esperança,
No teu abraço eu sinto-me criança,
Mas ao te amar... Que pena! Eu me desperto!

Samuel Freitas de Oliveira
Avaré-SP-Brasil - Jan 2011


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Raymundo de Salles Brasil

FALAR DE AMOR!
Raymundo de Salles Brasil

Falar de amor! Não já falaram tanto?
Não já disseram tudo sobre o amor?
Que é bom, que é doentio, que leva ao pranto,
Que ele até pode nos matar de dor?

Não já disseram que ele é puro, é santo,
Que tem o cheiro suave de uma flor,
Do amor maior, sublime, sacrossanto,
Do grande amor de Deus, nosso Senhor?

– Falaram sim, mas é preciso mais,
É preciso jogar essa semente
No coração de todos os mortais.

Porque sabemos, e sobejamente,
Que o amor, mesmo que doa, ele é capaz
De encher de sonho o coração da gente.

Raymundo de Salles Brasil
Brasil

 

Virgínia Fulber

TRANS CRÊ VER
Virgínia Fulber
Pelo dia do Escritor 25 de Julho

Lépidas, ágeis asas multicor
São os anjos a soprar
Névoas a cortejar
As mãos do escritor

Entre os dedos a decorar
Anel, terço e ardor
No peito intenso labor
Envolve a tez e sobrepõe-se à dor

Ofício de encanto
Ou papel tingido de pranto
É assovio de pena na lente do ouvido

Vê melhor quem possui asas na mão
Eterniza-se transcrevendo experiência
Conhecimento e emoção...

(variação de meu soneto escrito em 2009)
Virgínia Fulber
Brasil

 

 

   

Zéferro

Inspirado no soneto homônimo de Baudelaire

   
ALBATROZ
Zéferro

Albatroz és senhor da imensidão!
Tranqüilo, majestoso, altaneiro!
Como podes vencer a solidão
Sem o amor para ser teu companheiro?

É bastante planar nessas alturas
E ter nos céus teu leito indiferente
Junto ao peito somente as amarguras
Não sentir junto a ti um peito quente?

Teu irmão, o poeta abandonado,
Também sofre cruel condenação
Com o poder de voar abençoado

Mas sofrendo a dor da exclusão
Ele foi com a Poesia agraciado
Mas tão só, lhe tortura o coração!

Zéferro, 16/03/2003.
Brasil

 

L' ALBATROS
Baudelaire

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.

A peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.

Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!

Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.

Baudelaire, Les fleurs du mal II