Fev de 2013

Ano III - Número XXI

 

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ANTÓNIO JUSTO

OURO EM VEZ DE NOTAS - UM AVISO E UM ALERTA
Repatriação do Ouro – A Alemanha dá o Exemplo
Por António Justo

 
OURO NO MUNDO


Entre os países com maior reserva de ouro encontra-se, em primeiro lugar os USA com uma reserva de 8.133,5 toneladas de ouro; segue-se-lhe a Alemanha com 3.398,3 toneladas; a Itália com 2.451,8 toneladas; a França com 2.435,4 toneladas, a China com 1.054,1 toneladas; a Suíça com 1.040,1 toneladas; Japão com 765,2 toneladas. Portugal encontra-se em 13° lugar com 382,5 toneladas (Fonte: World Gold Council – Junho 2009).
Nos últimos cinco anos, a onça de ouro (31,1 gramas) passou de 600 para 1266 euros; no ano 2.000 a onça tinha um valor pouco superior a 200 euros. O ouro e a prata são muito procurados para investimento financeiro devido à inflação da moeda e para precaver bancarrotas. Também a China procura arrecadar a maior quantidade possível de Ouro para poder intervir melhor nos mercados financeiros e dar confiança à própria moeda.
No mundo há uma produção anual de ouro de 2.400 toneladas. Avalia-se que o ouro, até hoje promovido no mudo, é de 165.000 toneladas; deste encontram-se cerca de 79.000 toneladas aplicadas em jóias, uma outra parte em bancos centrais e no Fundo Monetário Internacional, uma outra, com mais de 18.000 toneladas, encontra-se aplicada em objectos de arte e cerca de 25 mil toneladas na mão de particulares sob a forma de barras, moedas e medalhas (cf. Goldankauf123.de).
Repatriação do Ouro alemão como medida inteligente de segurança
O povo alemão, que ainda tem peso nas decisões das suas elites, exigiu ao Banco Central Alemão, através do Tribunal de Contas, que fizesse um inventário do ouro que possui, uma análise da autenticidade das barras de ouro e o seu paradeiro. Os banqueiros mostraram-se incomodados com a exigência mas tiveram que começar a satisfazê-la. O Banco Alemão tenciona transferir para a Alemanha, até 2020, o correspondente a 27 mil milhões de euros. A repatriação custa 7,5 milhões de euros.
As reservas alemãs (3.398,3 toneladas) correspondem a um valor superior a 137 mil milhões de Euros. 45% dessas reservas encontram-se armazenadas no banco central dos USA (1.500 toneladas); 13% no Banco de Inglaterra em Londres; 11% em Paris (300 toneladas) e o resto no Banco Alemão em Frankfurt. Só a Inglaterra exige dinheiro pela guarda do dinheiro. O ouro repatriado, depois de examinado da sua autenticidade, é derretido para ser guardado em barras de 12,44 kg.  
Esta medida também poderá ser, indirectamente, um aviso às instituições bancárias para não passarem créditos de posse de ouro que não exista. 
Parte do ouro alemão foi colocado no estrangeiro, por razões de segurança, na altura da guerra fria entre ao Ocidente e a União Soviética e a outra parte provém da troca de dólares por ouro devida a excedentes comerciais adquiridos fora da Alemanha.
Portugal vende a “Prata da Casa” e com ela o Futuro
Numa altura em que os bancos centrais criam toneladas de dinheiro sem cobertura, a partir do nada, quem pode investe nos metais nobres. (Os que apostam na riqueza recomendam a quem tem dinheiro, que pelo menos um terço do capital deve ser investido em ouro/prata). Também os Estados deveriam fazer tudo por tudo para ter uma grande reserva de ouro. No caso de bancarrota ou de problemas de balança comercial, um Estado necessita de reservas em ouro para suportar a moeda nacional em caso de desequilíbrio orçamental. A insegurança do dinheiro virtual (fala-se que uma nota de cem Euros/Dólares tem apenas um valor base de 5 a 10 Euros/Dólares) e a crise internacional levou a China e comerciantes a procurarem assegurar o seu futuro com a compra de ouro, prata e outros produtos não virtuais. O mercado de prata oferece grandes potencialidades de subida.
Em questões de dinheiro a Corporação de Londres (City of London Corporation), um Estado dentro do Estado, com leis próprias, é o maior mercado financeiro do mundo, que alberga os maiores “cavaleiros” do dinheiro. Também o Goldman Sachs, banco de investimento e aconselhador de governos, está interessado na recolha de ouro e em acalmar o público para que este não compre ouro. Mais fica para o seu negócio especulativo. Um dos objectivos dos banqueiros da Goldman Sachs será conseguir um  estoque de ouro correspondente ao dos USA; então poderão intervir no mercado de maneira a provocar uma explosão ainda maior do preço do ouro. Por isso abastecem discretamente os seus estoques de ouro. A China pretende conseguir que a sua moeda se torne em moeda de reserva para melhor poder ser comercializada internacionalmente, como acontece com o Euro e com o Dólar.
O povo português possuía imenso ouro em mãos privadas (joias) e em reservas. Com a política inflacionária do regime do 25 de Abril, Portugal tem descurado esta tradição, esbanjando as reservas. Também tem aumentado a exportação do ouro do povo português (joias) de ano para ano; em 2009 exportou 102 milhões de euros em ouro e em 2011 exportou 520 milhões de euros. Devido ao sobre-endividamento dos portugueses estes continuam a vender o seu ouro. Vêem-se lojas e anúncios de compra de ouro por todo o lado. Portugal possuía uma das maiores reservas de ouro da europa; em relação a outos bancos centrais Portugal ainda é dos que possui, em proporção à sua economia, mais reserva acumulada durante o regime de Salazar. É triste verificar como o povo se vê obrigado dos seus bens (joias) para subsistir enquanto outros se assenhoreiam delas para ganharem rios de dinheiro com a especulação.
O mercado de metais preciosos continuará a revelar-se muito lucrativo para os especuladores. Embora os bancos centrais tenham de manter os juros das divisas baixos para que os Estados se financiem a créditos de juros acessíveis, os riscos de inflação e de bancarrota crescem devido às dívidas impagáveis.
O valor de uma moeda é determinado pela oferta e procura, pela confiança que se deposita nela e que se reduz a um valor estimativo, a um valor virtual. Por isso haverá sempre um risco na comercialização da moeda, menos nos metais nobres. Diz-se que o franco suíço é talvez a única moeda que tem um valor que corresponderia ao padrão de ouro.
Os Bancos Centrais asseguram o financiamento das finanças públicas dos Estados imprimindo notas promissórias com juros de quase 0% e por seu lado os Estados procuram controlar as suas dívidas através da inflação. Uma manipulação que torna o jogo dos especuladores financeiros mais atentos.
A fraqueza da economia portuguesa é proporciona à democracia. Quanto mais a oligarquia arrecada mais fraco é o povo! O trabalho mais urgente seria o da ressocialização das elites.

António da Cunha Duarte Justo
www.antonio-justo.eu

CARLOS LÚCIO GONTIJO

MINHA SANTA MARIA !
Por Carlos Lúcio Gontijo

Venho de muitos anos de redação de jornal e nunca vi com bons olhos o noticiário sensacionalista por que se faz guiar a imprensa brasileira, onde o comum é os fotógrafos e cinegrafistas apresentarem para o público a mancha de sangue no chão, como se tal comportamento não fizesse parte tanto da crescente banalização da violência quanto alimentador do desapreço pela vida. Em síntese, toda e qualquer catástrofe é jogada no ventilador de todos os lares, numa verdadeira disseminação do sangramento, da morte, da dor e do sofrimento coletivo.
Não há sequer espaço para a divulgação de poesia no mundo jornalístico, apesar de a poesia ser fator de sensibilização do ânimo humano. Recentemente, movendo-se contra aqueles que menosprezam a arte poética, especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa concluíram que a poesia é mais eficaz que livro de autoajuda, segundo estudo da Universidade de Liverpool. Revela-nos os pesquisadores ingleses que palavras incomuns ou utilizadas em estrutura semântica (e metafórica) complexa levam o leitor a refletir sobre si mesmo, dentro de outra perspectiva. Ou seja, a poesia não é só uma questão de estilo: a descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento de cada leitor.
Nossos meios de comunicação estão por demais envolvidos em cuidar de seus interesses políticos e comerciais para se preocupar com a implantação de jornalismo mais reflexivo, no qual a opinião inaugurasse um novo tempo para o segmento impresso da comunicação, que se perdeu ao se encaminhar para a opção de competir com a internet e sua característica de acompanhar os acontecimentos em tempo real, com muita imagem e pouco texto, o que levou os jornais a se encherem de fotos coloridas e notícias rápidas, numa espécie de fast-food noticioso.
Difundir de maneira maciça a tragédia que se abateu sobre as famílias dos jovens mortos em boate de Santa Maria (no Rio Grande do Sul), hoje um perfeito sinônimo de “minha nossa ou Nossa Senhora”, em nada ajuda na conscientização da sociedade brasileira em relação à implementação de rigorosa normatização para a indústria de entretenimento, que só tem pensado na promoção de grandes eventos sem o devido cuidado com a segurança.
É bom que se diga e se enfatize que houve um tempo no qual a qualidade das composições musicais, que se nos apresentavam acompanhadas de letras bem elaboradas, chegavam até a amenizar a constatação do baixo índice de leitura existente no Brasil. Ou seja, assistimos ao surgimento de uma arte musical inteiramente descartável e direcionada tão-somente a atender aos apelos momentâneos de uma estação ou mesmo de um período como o Carnaval, quando somos constantemente surpreendidos pela veiculação de músicas apelativas e de duplo sentido.
Contudo, se não nos bastasse ter os nossos filhos e netos entregues a uma cultura recheada de falsos valores, ainda nos deparamos com os riscos derivados da ganância dos tais empresários da indústria de entretenimento, que desabridamente assumem riscos descabidos a cada montagem de show, nos quais aos sons dissonantes se mistura a extrema necessidade de chamar a atenção a qualquer custo, inclusive com o despropósito de soltar fogos de artifício em ambiente fechado e repleto de material reconhecidamente inflamável.
Para nosso azar, não há quem possa colocar um paradeiro no avanço do mau gosto patrocinado pela indústria de entretenimento, pois alicerçamos nossa democracia pós ditadura militar num desastroso “é proibido proibir”, do qual toda bandidagem tira proveito, ganhando vez e voz em nome da liberdade de expressão e do ir e vir, ainda que seja com uma metralhadora nas mãos.
O fogo que consumiu a boate em Santa Maria estendeu sua língua incendiária Brasil afora, inquietando ainda mais os lares de todos os brasileiros, onde pais e avós passam noites e madrugadas sob o signo da insônia, à espera de jovens que são convidados, sistemática e diariamente, a se entregar a versos de valor pra lá de duvidosos, além de alienantes, capazes de levar a menina de 12 anos a se pintar com sensualidade de mulher feita.
Talvez eu seja antiquado, pois venho de um tempo em que o errado era errado e o certo era certo, ao contrário dos dias de agora, nos quais a libertinagem é confundida com liberdade, com todos agindo como se não existisse o bem e o mal; com os cidadãos, indistintamente, obrigados a viver atrelados uns aos outros, numa democracia fundamentada na balbúrdia, na anarquia e na impunidade.
Na realidade, poucas são as boates e casas noturnas abarrotadas de jovens brasileiros que podem ou conseguiriam escapar do fogaréu invisível em que arde o dístico "ordem e progresso" de nossa bandeira verde-amarela. Pelo andar da carruagem, diante de um modelo capitalista vampiresco em busca de lucro e acompanhado por um jornalismo embebido em sangue, só nos resta dependurar réstia de alho na entrada de nossas casas e, agarrados a um crucifixo, pedirmos para que Santa Maria nos ajude e nos proteja!
 
Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
Secretário de Cultura de Santo Antônio do Monte/MG
www.carlosluciogontijo.jor.br

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA

LER MUITO PODE SER UM MAL
Por Humberto Pinho da Silva

O célebre Bispo de Nova Iorque, Fulton Sheen, recomendava: “ Livros, revistas, jornais - são como inúmeras pessoas que encontramos nos carros elétricos, nos cinemas, nas feiras e nas festas mundanas. Como é evidentemente impossível travar relações com essa gente toda, procedemos a uma seleção.” -“ Os Problemas da Vida”
Se é mister selecionar amigos é, igualmente necessário, escolher na multidão que enxameia os escaparates do livreiro, obras que, pelo conteúdo e valor literário, servem para a formação, não só moral, mas também intelectual.
Muitas vezes o livro que agrada na juventude, não é apreciado em idade adulta. Gostos, interesses, alteram-se, consoante, idade, educação e desenvolvimento intelectual.
Nem sempre os mestres de literatura, pelo facto de o serem, devem ser lidos.
Platão, avisa na “República”-Livro lll:
“ Pediremos a Homero e aos outros poetas que não levem a mal que apaguemos estas passagens, e todas do mesmo género” - e explica a razão, - “ não porque lhes falte poesia e não soem aos ouvidos da maioria; mas quanto mais poética são menos convêm deixar que sejam ouvidas por crianças e homens.”
O bom escritor, pode ser mau conselheiro. Ninguém se encontra imune. Não é verdade que Cervantes declara que Don Quixote, por ler muitos livros de cavalaria “ se enfracó tanto en su lectura, que se le pasabom las noches leyendo de claro en claro, y los dias de turbio em turbio.”
“Del poco dormir y del mucho leer se le secó el cerebro de manera que vino a perder el juicio.”
Perderam, também, o juízo, os pais, que inadvertidamente, metem nas mãos dos filhos, livros malsãos, por estarem na moda e terem sido premiados, sabe Deus como, e porquê.
É que o livro tanto pode perturbar a mente, como modificar o carácter. Santo Agostinho, após ler obra de Cícero, converteu-se ao cristianismo ao analisar textos de S. Paulo.
Há livros que elevam. Há livros que podem ser manuseados desde a infância. Há livros que formam e informam; e há livros que melhor fora não terem saído do prelo.
Durante anos, meu pai, que era jornalista, foi adquirindo imensa biblioteca, livros que, segundo confessava, raras vezes os lia.
Comprara-os, seduzido pelo nome do autor e opinião da crítica.
No andar dos anos, amadureceu. Escolheu na “floresta”, duas dúzias de “ amigos mudos”, como dizia Padre Manuel Bernardes, e lia-os e relia-os; e sempre que os abria, encontrava, segundo afirmava, pensamentos, frases, pareceres, que lhe tinham escapado.
Peneirar o trigo da ervilhaca, limpar o grão que vai para a eira, não é fácil; por isso é que professor responsável ou sacerdote culto, pelo menos na adolescência, devem ser consultados, se não se quiser andar à deriva, comprando obras, que em vez de instruírem e formarem, pervertem a alma e cavam perniciosas marcas, que podem durar uma vida.

Humberto Pinho da Silva
Porto/Portugal
Blogue luso-brasileiro: "PAZ"
http://solpaz.blogs.sapo.pt/

Humberto Pinho da Silva é português, jornalista e colaborador de vários jornais portugueses e brasileiros.
É responsável pelo Blogue Luso-Brasileiro “PAZ”.

 

HUMBERTO RODRIGUES NETO

SONHO DE CRIANÇA
Por Humberto Rodrigues Neto


Após o término da aula de Evangelização Infantil, no Centro Espírita, Raquel, uma das meninas conversa com sua coleguinha Márcia, que se encontra algo triste:
— Marcinha... Está havendo algum problema com você?
— Não... Por que você está me perguntando isso?
— Porque hoje, na classe, achei que você estava um pouco triste...
— É... Ando um pouco chateada. São os meus pais, sabe?
— Que é que têm os seus pais?
— Sei lá... às vezes fico pensando que eles gostam mais da televisão do que de mim.
— Que é isso? Mas que bobagem!
— Bobagem? Olha: quando a minha mãe está vendo a novela eu não posso dar um pio. Não permite que eu abra a boca! Isso é vida?
— Mas, Raquel... Não pense que a minha mãe seja muito diferente. É claro que às vezes, durante o intervalo, por exemplo, me ajuda em alguma dúvida nas lições da escola.
— Ah, então sua mãe é um pouco mais legal que a minha. E o seu pai?
— Bem... aí a coisa fica um pouco mais difícil. Mesmo assim, uma vez ou outra ele me dá um pouco de atenção enquanto está assistindo ao futebol.
— Pois com meu pai a coisa já complica.
— É mesmo? Como, assim?
— Ah... ele chega em casa, joga a pasta e o paletó numa cadeira e nem sequer me dá um beijo. Liga a televisão no futebol ou no noticiário e não quer nem saber de nada. Só me dá algum atenção nos intervalos, e mesmo assim, ó... bem rapidinho, sabe?
— Eu entendo, Marcinha... Mas, quantas vezes a D.ª Izabel, nossa Evangelizadora, não nos disse para termos paciência com nossos pais? Às vezes sua mãe pode estar cansada, e...
— Cansada? Cansada disso tudo ando eu, Raquel!
— Calma, amiguinha... Calma... Vamos devagar, porque...
— E se a televisão queima... Ah... não dá outra: Eles correm como uns loucos e mandam consertá-la num instantinho. Não conseguem passar nem um dia sem ela!
— E quem é que passa sem televisão? O conserto tem que ser rápido, mesmo!
— Só que lá em casa, o conserto da TV é “vapt-vupt”! Mas quando é para me comprar um vestido novo... Chiii... Aquilo demora séculos!
— Mas, isso são provas que temos de sofrer nesta encarnação, conforme ouvi numa palestra.
— Eu sei disso, Raquel. Eu também aprendi numa palestra que a gente pode escolher o tipo de vida que deseja ter na outra encarnação. Só assim é que eu vou conseguir acabar com essa falta de atenção do meu pai e da minha mãe.
— Já sei. Você vai pedir para nascer em outro lar, como filha de outros pais, que sejam mais compreensivos. É isso?
— Não, Raquel! Não é, não... Eu gosto muito deles dois. Vou pedir para tornar a nascer na mesma casa, no mesmo lar.
— Espere um pouco, Marcinha! Não entendi Desse jeito os seus problemas vão continuar.
— Não vão, não, Raquel. Já pensei em tudo, amiguinha! Nessa nova casa meus pais de hoje vão me adorar!
— Mas, de que forma você vai conseguir isso?
— Eu vou pedir para ser a televisão!

Humberto Rodrigues Neto
São Paulo/Brasil

 

CONTRASSENSO
Humberto Rodrigues Neto

 

RESPOSTA A UM SONETO
Humberto Rodrigues Neto

Quem dera, oh... Deus, o ser humano fosse
mais fraternal e mais cristão, de sorte
que não herdasse o instinto de Mavorte,
contrário à vida, que é tão bela e doce!

Quanta alma pura fez de Ti o suporte,
e ao mal que nos judia contrapôs-se!
Quanta alma vil, de Ti distante, pôs-se
a criar engenhos de tortura e morte!

Estranha grei de gênios e estafermos,
num conúbio de crentes com pagãos,
eis o que é o homem nos exatos termos!

Sujeito a instintos nobres ou malsãos,
concebe a Ciência pra salvar enfermos
e inventa a Guerra pra matar os sãos!

Humberto Rodrigues Neto
1º lugar no 3o. Concurso Nacional de Sonetos.Promovido recentemente pela Estância da Poesia Crioula, do Rio Grande do Sul.



 

 

 

 

Esse chamar-me de teu mestre sem o ser
é o que me deixa assim feliz e venturoso,
haurindo rimas de um soneto tão garboso
como esse agora, que te deste a me escrever.

É uma delícia o teu poema... é quase um gozo
ter ante os olhos tais momentos de prazer;
é ter comigo esse tiquinho do teu ser
pulsando vivo num poema tão charmoso!

as tuas palavras já nem sei quais sobreleve,
pois delas faço o meu fanal, “Eire”, porquanto
vem da tua alma o que a tua mão gentil me escreve!

E quando o leio embevecido em pleno encanto,
sinto invadir-me aquele enleio bom e leve,
qual se estivesse, as Escrituras, lendo um santo!

Humberto Rodrigues Neto