Junho de 2013

Ano III - Número XXIII

SUPLEMENTO

 

Santos Populares (Festas Juninas)

   

OCÊ VAI VÊ A FESTANÇA JUNINA !
Adriano Augusto da Costa Filho


Nestes versos ao poder da Lira,
Nós viemo lá da roça,
Desembarcamo dos trem.
Nunca vi gente tão bem
Saindo dessas palhoça !

Olhei prum lado e num vi,
A comade vestida de caju.
Fiquei oiando por ali
Não vi ela e nem vi tu

A tar de caju minha comade,
se perdeu na confusão.
A outra comade a madame
Desapareceu na estação !

Quando sai rapidinho,
Sai logo diretinho.
Peguei o onibus com banco
Coisa ruim com solavanco !

Fui oiando pelas janela,
Só vi barraca com panela.
Só vi gente nessa festança
Comendo e enchendo a pança !

Mas ai tudo acabou,
A madame e a de caju
Eu procurando ainda esto
Mas comigo ninguém falo !

Por isso só quero agora,
Esperá do lado de fora.
Esperando ainda esto
Mas a festança acabo !

A de caju num veio mesmo,
E a comade muito meno
Mas se a Socorro as encontrá
Faiz um favor de me avisá !

do Caboclo
ADRIANO AUGUSTO DA COSTA FIO !!!!!
" Casa dos Poeta de São Palo,"
Muvimento Poético Nacioná - MPN

Tá bom minha gente ! ah! ah! ah! eh! eh! eh!

 


 

 

SANTOS POPULARES
Ana Isabel Rosa


Ruas enfeitadas
Com arcos e balões
Engrandecem as marchas
Divertindo tantos corações!

Rapazes e raparigas
Bailam sem parar
Afinando cantigas,
Para os Santos Populares.

O traje festeiro declara
Que a festa é de alegria
E vai até de madrugada,
Para se festejar a época de folia!

Cada Santo Popular
É evocado com devoção
E cada marcha canta
Com muita convicção.

Numa brisa divertida
Agitam-se nas ruas
Pessoas que espalham
A palavra, alegria.

Cada manjerico
Apadrinha uma quadra
Onde cada um confia
Em cada palavra registada!...

Ana Isabel Rosa

 

CAIPIRAPETINGUENSE
Amélia Luz – Pirapetinga/MG/Brasil


Criada na roça
Aprendi toda prosa
A contar os “causos”,
Das terras de Minas.
Conheço Folia de Reis
Ao palhaço dou a vez
Na troca de versos...
“Tem, tem, tem moçada boa!”
Já bati Mineiro Pau
Brinquei de Lobo Mau
Dancei Boi Pintadinho,
Andei de Mulinha e não é à toa
Que corri do Jaraguá!
Fui Boneca do Tutinha
Senti-me a rainha
Singela menina
Entre confetes e serpentinas!
Participei de quadrilhas
Pulei fogueira de São João,
Comi paçoca, tomei quentão,
Fiz simpatia pro santo casamenteiro,
Tentando encontrar um parceiro...
Subi no pau-de-sebo
Cantei modinha de roda no terreiro
Passei anel, brinquei de esconde-esconde,
Fui ao circo de cavalinhos
Tentando segurar a meninice...
Tenho de fato, um cheiro de mato,
Conheço o verde da campina
Recordo o Valão do Encantado, onde nasci,
Que muito ainda me fascina...
Guardo lembranças das noites enluaradas,
Do sereno frio das madrugadas,
Da orquestra de sapos no brejo,
Cantando canções de ninar.
Sou caipirapetinguense na fala,
Na simplicidade que em mim exala,
Quanto bate forte no meu peito
O meu coração de mineiro perfeito!
Toco viola, faço serenata,
Minha alma campeia na mata
Debaixo do luar de prata...
Se abro a boca “tem jeito não, uai”!
Tenho o sotaque diferente
Arrastado, cantarolado,
Que é a cara da minha gente.
Vou a procissão do Divino
Ao leilão de prendas de Santana,
Faço promessas na Santa Semana,
Assisto à Via Crucis na avenida
Ouço o sermão do Encontro
Nas palavras do vigário.
Nas retretas da Vinte e Sete
Viajo nas valsas e nos ritmados dobrados.
Assim, saio pela praça da matriz,
Dando voltas no jardim
Costume do nosso povo
Encontrando minha raiz...
Num modo estranho
Nesta vida passageira
Tenho ranso de Minas,
Coração nascido entre montanhas...
Nas entranhas a alegria sem fronteiras,
De poder gritar com vigor,
Do alto das escarpas do Caparaó,
Sou caipirapetinguense,
Sou mineira!!!

Amélia Luz
Pirapetinga/MG/Brasil

 

QUADRAS POPULARES
Ana Dias


Foi num Domingo de festa
Que bem juntinho bailámos
Ao som de toda a orquestra
Que tocava, e nós dançámos

Tangos, valsas, marchinhas
Passos corridos pelo areeiro
Debaixo das cepas das vinhas
Que enfeitavam o terreiro.

Ana Dias (Ana Odi)
Maio de 2013
 

   

SÃO JOÃO
Antonia Aleixo Fernandes


No meu ranchinho beira chão
Na época de São João
Cpzinho no meu fogão de lenha
Batata doce, vinho quente
Pipoca e quentão!

A fogueira acesa no chão
brasas vermelhas e ardentes
Minha fé em São João é eminente.
Pisando na brasa quente,
abraço a minha gente
com fé no coração!

São João
em volta da fogueira,
dançamos a noite inteira
com os pés nio chão!

Viva São João
Santo valente
que protege a minha gente
em qualquer situação!

Antonia Aleixo Fernandes.

 

 

TROVAS A SANTO ANTONIO
Antonio Cabral Filho


Santo Antonio tem convento
no Largo da Carioca,
recebe fiéis a cento
desde que levem pipoca.

Meu Santo Antonio querido,
meu santo de carne e osso,
se não fores meu Cupido,
não lhe tiro mais do poço.

Santo Antonio, todo dom,
meu santo casamenteiro,
se casar é SIM tão bom,
por que ficaste solteiro?

Santo Antonio de Lisboa
é " santo de português",
mas tem Fernando Pessoa
no caderno de freguês.

Como fiel antonino
temo pelas emoções:
Trio de santos juninos
abalando corações.

Antonio Cabral Filho
Rio de Janeiro